- Lama Padma Samten (adaptado, pois escrevi no celular sem dar tempo de uma transcrição exata. Retiro de Junho em Araras, 2016)
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domingo, 26 de junho de 2016
Resumo do Retiro do Lama Padma Samten em Araras, 2016
"Todos somos meio como "O médico e o monstro". Praticamos, praticamos mas algum fato ocorre e nos arrasta pela energia. Controle não resolve. Não soluciona isso. (...) A mente não tem poder sobre a energia. Daí a importância de estabilizar a energia (shamata impura com foco nos cinco lungs). Mas shamata é uma condição particular. E o espaço não é o elemento éter. O espaço seria o sexto elemento, seria a capacidade quebrar o aspecto limitado da prática e perceber que aquele estado particular de mente não é a iluminação. O espaço é a condição secreta da mente, é o ambiente além de qualquer objeto, que acolhe todos os objetos. Aquilo que não morre. Como perceber a amplitude de um céu estrelado. A percepção do elemento espaço no ciclo de seis elementos nos ajuda a neutralizar os obstáculos da própria prática de shamata."
- Lama Padma Samten (adaptado, pois escrevi no celular sem dar tempo de uma transcrição exata. Retiro de Junho em Araras, 2016)
- Lama Padma Samten (adaptado, pois escrevi no celular sem dar tempo de uma transcrição exata. Retiro de Junho em Araras, 2016)
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domingo, 27 de março de 2016
Lama Padma Samten falando sobre Games / Distrações
"Se as pessoas são armadilhadas por jogo de computador, qual é a chance delas? Se elas consideram que elas avançam quando elas respondem mais rápido ao estímulo na tela do computador qual é a chance delas? Elas tão treinando a responsividade, que é o elemento central da prisão. Elemento central da prisão é assim: aparece alguma coisa eu respondo condicionado dentro daquilo. Isso é considerado dentro dos testes de inteligência um dos fatores essenciais. Quanto mais rápidos nós respondemos aos estímulos de uma forma previsível, mais inteligente nós somos. Isso é QI, né?"
Lama Padma Samten
fonte: https://www.youtube.com/watch?v=EN7WqI7KKrg&feature=youtu.be&t=1h43m35s
OBS.: Fiquei contemplando isso e ainda tem outros agravantes, acho: assim como a maioria dos esportes, estimula a competitividade (baseada em avydia, a ilusão de dualidade) e, em alguns casos, banaliza a violência (o oposto de tentarmos construir uma cultura de paz).
Podemos expandir essa percepção para a imensa maioria das distrações, passatempos ou entretenimento dentro do que chamamos normalidade - novelas, filmes, seriados e até mesmo músicas que criem uma bolha ilusória de realidade (como as românticas, por exemplo), reforçando hábitos talvez de muitas vidas.
Porém, é importante lembrar que não se proíbe nada no Budismo de forma dogmática e que, se for causar um sofrimento abandonar radicalmente alguma dessas coisas (mesmo sobrando mais tempo pra meditar), melhor não ser tão radical. Talvez apenas diminuir o tempo gasto com isso.
Outra opção é usar essas distrações como prática, tentando percebê-las de forma lúcida. Esta seria a prática mais elevada. Mas comigo, no videogame, não funcionou muito bem até agora: acabo usando como desculpa pra seguir no vício. :)
OBS. 2: Se sua prática aprofundou a ponto de você não achar mais muita graça nas coisas mundanas ou distrações, leia aqui.
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terça-feira, 23 de junho de 2015
Palestra de Lama Padma Samten e Roberto Crema - Dissolvendo as bolhas da normose (transcrição)
Palestra de Lama Padma Samten e Roberto Crema - Dissolvendo as bolhas da normose
Transcrição: http://www.youtube.com/watch?v=Gym5bn4X6Mk
Local: SINDUSCON-RS, Porto Alegre, 25 de março de 2015
Transcrição: Fabio Rocha, junho de 2015
Palavras chaves: normose, bolhas, realidade
Lama: (...) mais tempo no Sul e vir mais vezes a Porto Alegre também. Então, eu tô muito feliz por essa oportunidade de encontrar os amigos, né? A gente tava conversando lá e eu não queria nem começar a palestra e tive que ir a um e a outro, assim, uma felicidade.
E eu encontrei o (Roberto) Crema em Brasília quando o Gyalwang Drukpa teve aqui, né? Então, aquilo foi um bom encontro. Sua Santidade Gyalwang Drukpa, que é o regente da linhagem Drukpa Kagyu, ele tava visitando o Brasil pela primeira vez, né? Então, ele foi a Brasília e eles convidaram – a coordenação convidou, né? – e fomos nós dois, né? A gente recepcionou o Gyalwang Drukpa.
Normose
Aí sempre surge esse tema da normose, né? Eu sempre lembro dessa expressão do Pierre Weil, né? Esse tema, ele é super importante. E talvez o obstáculo maior que a gente tenha no caminho espiritual seja justamente a normose, né? Isso vem por uma sensação de que o mundo é o que parece que ele é.
Avidya – dificuldade de traduzir
Em sânscrito tem uma palavra pra isso que é avidya. Avidya significa ignorância. Mas essa palavra – “ignorância” – ela não é muito adequada, sabe? Eu vi alguns tradutores explicando a quase impossibilidade de traduzir uma cultura dentro das expressões de outra cultura. Porque, por exemplo, cada palavra que nós usamos, ela tá contextualizada dentro de uma cultura, então ela tem um significado inseparável das outras palavras e dos outros conceitos daquela cultura. Quando as culturas tem áreas que não se tocam direito, as palavras, por exemplo - a gente tirar uma palavra de uma cultura e colocar em outra palavra de outra cultura - ela não vai dar aquele significado. Porque aquela palavra, ela tá imersa num contexto. Quando eu substituo por uma outra palavra, ela tá imersa num outro contexto. Então, parece impossível a tradução, né? Assim, por exemplo, quando a gente usa a palavra ignorância pra traduzir avidya, parece que tá faltando um conhecimento. Essa é a sensação – a ignorância seria isso, né? Aqui é muito diferente, né?
Xadrez
Então seria mais parecido, por exemplo, com a pessoa estar jogando um jogo de xadrez, né? Então, quando ela tá jogando aquilo, tem um momento em que ela entra numa bolha correspondente ao jogo, né? Aí ela esquece de comer, ela de repente fica com raiva do outro, ou fica incomodada com aquilo... A pessoa fica tomada por aquele contexto. Avidya significa que surge uma bolha e ela não consegue atravessar a borda da bolha. Essa bolha é espelhada. Ou seja, quando a gente olha a superfície da bolha, a gente vê as imagens de dentro. O nosso olhar não consegue atravessar. Mas, como aquilo é espelhado, parece que nosso olhar vai até o infinito. Então, as bolhas são assim, né?
Cinema
Por exemplo, nós vamos ao cinema e estamos vendo um filme. Quando a gente vê um filme, a gente entra na história. A gente começa a repercutir. Se a gente pensar que aquilo é luz e tela, a gente se torna um chato, né? Tem a namorada chorando, né? Vê o Titanic afundando... Eu confesso pra vocês que eu não tenho ido muito ao cinema não, vocês me desculpem. (risos) Aí, o Titanic afundando, ou o “Tubarão 2”, alguma coisa assim, né? (risos) Ou Charles Bronson, ou alguma coisa... Não tenho ido ao cinema. Mas aí, a gente tá no meio daquilo, né? A pessoa chorando. E a gente: “Mas, olha, pense: isso aqui é só tela e luz. Ali não tem nada, pessoa.” E a pessoa: “Bá, você é horrível, insensível. Você é um monstro. Tá vendo o Brad Pitt morrendo ali e você não faz nada?” Então a gente tem a sensação de que aquilo... Se a gente raciocinar, a gente diz “Bom, isso não é real.” Mas a gente olha e as emoções se movem, as energias se movem, aquilo tudo vai assim, né? Assim, são bolhas. Então, as bolhas, elas movem todo o sentido de realidade. Aquilo é super bonito, né?
Fotografia do ex
Se vocês olharem... Talvez vocês não tenham tido essa experiência, né? Mas alguém que tenha alguma ex-esposa ou ex-marido e olha a fotografia do ex. A gente vê que a fotografia mudou, assim, né? (risos) O conteúdo da foto é diferente. Mas a foto é totalmente inocente. Não tem nada ali. (Mas eu tenho que olhar o relógio aqui. É até oito e meia, né? A gente vai trocando, assim. Oito e meia, né? É, né? Então tá, a gente vai de oito e meia até as nove e aí às nove e meia a gente conversa um pouco, todo mundo, né?)
Ciência
Então, tem isso, né? A gente olha o objeto e o objeto muda. Naturalmente, quem estudou Física (né, Rogério?), aí a pessoa teve essa grande aflição da passagem da Física Clássica pra Física Moderna, né? Pra Física Quântica... Aí, a pessoa, ela não entende como que aqueles experimentos todos feitos em laboratório, aquilo tudo aparentemente comprovado, as leis de Maxwell, aquilo que judiou dos alunos por muito tempo. Os alunos até reprovados, eles podiam entrar com uma ação: “Olha, essas leis, elas foram todas revogadas. Então, não faz sentido ser reprovado por uma coisa que depois foi revogada. Se viu que não era bem assim.” Mas, então eu vejo assim: a ciência é um ambiente maravilhoso pra descrever avidya, né? A gente começa a estudar a história da ciência e vai vendo, assim, as crenças, né? Então, visões de mundo – a pessoa olha pra abóbada celeste e vê as mais variadas coisas. Essas coisas dizem respeito ao conteúdo que elas têm dentro. E a pessoa vê aquilo como se fosse externo, claramente. Ela tem emoções, ela tem propósitos, ela tem uma coerência. Não só ela tem isso como aquela coerência funciona.
É tipo um jogo de xadrez – a gente vai jogar o jogo e aquilo tem uma coerência, tem uma forma de raciocinar, tem uma visão estratégica, tem uma previsão matemática. A gente pode estudar e ver como se mover de modo estratégico por dentro do jogo e vai ganhando uma posição melhor do que o outro companheiro, o outro jogador... No fim a gente começa a ganhar o jogo porque a gente pode se colocar. Então se aquilo não tem uma realidade externa, como seria isso, né? Mas a realidade externa do jogo, ela é totalmente construída, ela é totalmente... Ela é uma bolha, uma realidade construída, assim.
Então, esse é um ponto super interessante. A gente vai estudando a ciência, então a gente vê coisas do tipo assim: houve um tempo em que as pessoas não conheciam bactérias e vírus. Não conheciam. E elas não conheciam, portanto, assepsia. Então nós vamos encontrar pessoas de terno e gravata fazendo cirurgia. Cortando outro, ele tá fumando. Soprando um pouco pra energizar alguma coisa, assim. Então, a pessoa sem assepsia, né? Super tocante, assim. Não sei como é que as pessoas não morriam direto, né? E, quando surgiu essa visão das bactérias e dos vírus e surgiram as vacinas, as pessoas se posicionaram contra. Elas fizeram um movimento público. Aqui no Brasil teve isso, né? As pessoas se posicionando, imaginando que o Estado tava invadindo o próprio corpo. Colocando... Inoculando com vacinas. A vacina da febre amarela – houve um problema, uma emoção com isso.
Diferentes culturas
Então são visões que a gente desenvolve e essas visões vão se tornando visões hegemônicas e parece que o mundo inteiro funciona daquele jeito. Eu acho interessante quando nós temos a oportunidade de comparar diferentes culturas, né? Nós ainda temos duas centenas de línguas nativas aqui no Brasil, vivas. Nós temos muitas diferentes culturas aqui dentro.
E é inacreditável, por exemplo, que essas pessoas possam viver sem computador, assim, sem iPad, né? Sem celular, né? Sem geladeira, sem fralda descartável, sem absorvente íntimo. Eu não sei como seria isso. Na verdade, eu também não uso, mas... (risos) E assim não tem automóveis, não tem aviões, não tem medicina da forma que a gente conhece, não tem indústria química, não tem facas, não tem garfos. É uma coisa inacreditável, né? Tá certo que tem algumas vantagens: não tem escola, por exemplo, né? Aí tem coisas super interessantes, por exemplo: não tem loucura. Eu acho que já é um problema. Não é muito normal, assim. Também não tem cadeia. Como que não tem cadeia, num lugar onde não tem contravenção? Também não tem Constituição, não tem Código Penal, não tem advogados – o que seria uma vantagem... (risos) Mais ou menos, assim, né? Não tem polícia. É super incrível isso. Eles não são civilizados. E olha o corpo deles – super forte. Como é que eles conseguem manter a saúde num ambiente assim, né? Eles não têm tecido, malha, né? É incrível como é que eles conseguem viver. Então, eles têm um outro tipo de normalidade. Eles têm uma outra forma de olhar as coisas, né? Então, isso é super importante a gente entender. Nesses contrastes, a gente pode – no mínimo – dizer: eles têm um tipo de artificialidade e nós temos outro tipo de artificialidade. Mas são artificialidades, são bolhas. Se a própria pessoa vive daquele modo, ela não pensa que tenha algum problema, que exista outra forma de viver. Por exemplo, pra nós, nós raciocinamos longamente dentro do processo econômico. O processo econômico é crucial pra nós. Faz parte da nossa normalidade, né? Naturalmente, fazer vestibular - porque eles não têm vestibular - fazer vestibular e conseguir um emprego – as pessoas não têm empregos dentro dessas culturas... E não tem desemprego também, o que é uma vantagem, né? Desemprego zero, né? (risos) É muito interessante, assim.
Outras formas de olhar o funcionamento, assim. Mas quando nós tamos imersos na nossa cultura como ela tá hoje, a gente pode até ouvir, assim, como as pessoas ligadas ao movimento ecológico, elas vão olhando e nós tamos quase sem alternativas, né? Nós temos manchas de poluição enormes, nós temos regiões dos mares tomadas por plástico, tem uma espécie de redemoinho no Pacífico com uma quantidade enorme de plástico, muitos animais marinhos morrendo por ingestão de plástico. Então, tem uma contaminação. A contaminação nuclear de Fukushima chegou na costa americana. A contaminação nuclear de Fukushima não vai parar – aqueles reatores, eles fundiram. Aquela fusão não tem como controlar. Não tem como resfriar aquilo. Virou uma bolota radioativa que segue produzindo fissão e uma economia de nêutrons de tal forma que a fissão de uma estimula outra de tal forma que aquilo vai continuar por um tempo não previsível, assim. Eles vão seguir resfriando por fora e eles não tem como guardar aquela água, que – quando eles resfriam – toma contato com o material radioativo, ela se torna radioativa. Eles não tem como guardar mais do que um tempo. Então, eles estocam aquilo pra baixar a radioatividade e largam no oceano. Agora, tiveram essa ideia de congelar a água. Mas não tem como fazer aquilo mais do que um tanto, ela vai fluir pro oceano... Nós tamos contaminando o nosso planeta. Mas a gente considera assim: “É isso mesmo. Não tem o que fazer. Essa é a nossa vida.” E agora os japoneses tão se preparando pra reativar as centrais nucleares. Ou seja, a normalidade, ela retorna, né? Aquilo que parece uma normalidade, né?
Então, a gente olha as culturas nativas, eles viveram 15 mil anos de um modo sustentável. Nós vamos encontrar, na Amazônia, por exemplo, vamos encontrar manchas de solo preto. Era justamente as regiões onde eles viviam, onde esses povos viviam, a densidade populacional. Qual é o lixo que eles deixam? Eles não deixam lixo nenhum. Eles deixam matéria orgânica decomposta na forma de solo super fértil. As casas eram recicláveis, era tudo reciclável. Não tinha nada que não fosse reciclável. Não tem lixo tóxico, não tem nada. Agora, vocês imaginam os nossos lixões, assim, com pilhas, com metais pesados de todos os tipos. Pra nossa sociedade parece normal – “É assim mesmo. É isso.” Então, quando a gente pensa que isso é normal, isso já seria normose, né? Quando a gente só vê essas alternativas.
Economia
O Dalai Lama, ele gosta de lembrar essa questão econômica, também, né? E a gente precisa colocar isso de uma forma simples. Ele coloca isso de uma forma simples, mas tocante, assim. Ele diz, por exemplo: Cada um de nós aqui foi cuidado a fundo perdido pelo pai e pela mãe. Ou por alguém que cumpriu essa função, de pai e mãe. As relações mais importantes que nós estabelecemos são todas a fundo perdido. Mesmo os pais trabalhando pra sustentar os filhos, eles têm uma atividade econômica, mas a atividade econômica não é o fim. O fim é poder cuidar de alguém. Se nós não cuidamos das pessoas, nós naturalmente entristecemos e nós não ficamos bem. Então, a compaixão, amor, o interesse um pelo outro é que sustenta o mundo, verdadeiramente. Não é a atividade econômica. A gente vê vários eventos-limite, né? Onde vêm as guerras, as grandes complicações. Nesse momento, a atividade econômica evapora. Explode tudo. O que que vai acontecer? As pessoas se juntam e elas se ajudam. Trabalham em rede de uma forma totalmente voluntária. Nesse tempo que nós tamos vivendo, nós vamos encontrar também quase um limite extraordinário. Aí vem a crise econômica de 2008/2009 e nós vamos encontrar as pessoas – os cidadãos – através do Estado, apoiando as grandes empresas. As grandes empresas vão quebrar, aí vem dinheiro público e é investido nas empresas pras empresas sobreviverem. Se nós fôssemos usar o critério do próprio sistema econômico, a gente não ajudava ninguém. Não tem porque nós usarmos compaixão e usarmos um sentido que ultrapassa a regra do jogo. A regra do jogo é assim: quando a empresa vai mal, quebra. Se você não pode pagar, você vai pro SPC. Não tem assim uma grande solidariedade, em que você quebrou, então alguém, vem o Estado pra salvar você. O Estado não salva você. Nós nos encontramos agora – nós tamos vivendo esse tempo – em que a gente não sabe se o Estado, ele tá a serviço das organizações econômicas ou se o Estado tá a serviço das pessoas. Essa é a grande tensão política no momento. Nós não temos mais, propriamente, uma tensão entre direita e esquerda. A esquerda virou uma coisa tipo movimento sindical, reivindicando vantagens, e a direita, essencialmente, o processo do capital, né? Mas, quando nós encontramos as situações que nós tamos vivendo hoje, a tensão é diferente. É assim: o Estado protege o cidadão ou o Estado protege as grandes organizações? Então, aparentemente, tem uma visão que é assim: o Estado protege as grandes organizações, as grandes organizações protegem o cidadão. Ou outra visão que é assim: nós protegemos o cidadão frente a exploração do capital, exploração das grandes organizações e dos bancos, que tratam de fazer aquilo que é mais rentável pra eles. Então, aparentemente, nós tamos adotando uma posição majoritária na qual os Estados protegem as grandes organizações. Nós tamos adotando isso. Mas nas ruas vocês tão vendo as pessoas se manifestando constantemente. Então, quando nós encontramos, por exemplo, o ministro da Espanha dizendo pros jovens espanhóis emigrarem, porque eles não tem como encontrar emprego dentro do país, a gente entende que as organizações econômicas não estão a serviço da população. Não estão a serviço nem mesmo do país. Porque se nós mandarmos os jovens emigrar, nós chegamos a situação de que uma economia de primeiro mundo, uma economia de ponta, ela tem um momento em que ela não consegue mais nem mesmo acolher os jovens das gerações seguintes. Eles não são mais prioritários. Então isso significa nós estarmos ultrapassando completamente os critérios de bom senso, ainda que a gente vá chamar isso de normalidade. Ainda que se adote como uma política sábia, respeitável por grandes organizações. É isso. Isso vai dar aonde? Na medida em que a água se reduz, os materiais todos vão ficando mais caros, progressivamente, o consumo se expande, o lixo segue, nós vamos seguir chamando isso de alguma coisa normal. Isso não é alguma coisa normal, pessoal. Mas a normalidade, na normose, se diz... Tem esse exemplo do sapo, né? Que eu não sei se é verdade ou não. Bota o sapo dentro da água e vai aquecendo devagarzinho. O sapo fica confortável em qualquer temperatura. Até que ele morre. Ou ovo, assim. Bota o ovo e vai aquecendo devagarzinho, daqui a pouco o ovo endurece. O sapo também. A normose nos leva a isso. "Tá tudo bem, vamos relaxando, vamos indo..." Aí nós passamos os limites todos.
Nossa visão de mundo
Esse é um ponto interessante, assim, as nossas vidas também. O nosso aspecto individual. A gente não precisa pensar que socialmente esse é o problema. Nós, individualmente... Todo mundo vê o sol se levantar a leste e se por a oeste. Eu não quero trazer nenhuma controvérsia, algum problema, assim, pessoal, pra vocês, né? Mas o sol não se levanta, pessoal. Todo mundo vê. A lua também não se levanta, mas a gente tá vendo. Isso é avidya. A gente olha e vê. Além do mais, se vocês tiverem o cuidado: vocês botam um lápis em pé assim na escrivaninha e deixam o sol bater e vejam se a sombra não se mexe. Porque que a sombra se mexe? Não é a mesa que tá se mexendo. Ou nós vamos pensar que é assim? Claro que não. É o sol que tá se mexendo. Vocês entenderam? É tão claro. A gente vê tão claramente assim. Isso é normose. Se fosse fácil ultrapassar normose a gente dava um pulo e tava resolvido. Mas não é. Dentro da normose, a gente pode até provar para o outro: Todos os dias eu dou um tracinho aqui e olho pro relógio aquela hora. Isso aqui se chama relógio de sol. Inventei o relógio de sol, pessoal. Aí, eu descobri que de acordo com a época do ano a sombra é mais longa ou a sombra é mais curta. Claro, porque o sol tá mais pra lá ou mais pra cá. O sol fica girando.
Agora, por exemplo, se vocês vão construir uma casa, a gente diz: "Não, agora eu entendo as coisas, eu tenho uma visão ampla, a Terra é redonda, eu quando fizer uma viga, vou fazer uma viga um pouco inclinada, de acordo com a curvatura da Terra. Imagina, se eu for fazer aquilo reto vai dar problema. Tem que fazer aquilo um pouco curvo." Mas não precisa, né? Aí nós começamos a entender como é que nós podemos usar visões parciais sem perder a visão ampla. Um ponto super importante. Usando visões parciais, nós usamos a terra plana. Pra medir a área, melhor medir a área, se eu passo o metro, se descobre que é tudo plano. Então, terra plana funciona. Então, esse é um ponto interessante.
A gente pode usar muitas diferentes visões. A gente só não deveria se enganar. A gente sabe o que tá fazendo. Tá certo que eu tô vendo o sol fazer isso, mas não é assim. Mas funciona assim também. Aí eu vejo aquilo e aquilo é útil. Tudo bem, mas eu não me engano, entende? Eu posso usar, mas eu não me engano. Isso significa lucidez. Eu entro na bolha, vejo aquilo, me comporto como todos os loucos correspondentes dentro da bolha, concordo com todo mundo, mas ó... Tô em uma outra visão. Eu vejo que aquilo é uma visão particular, né? Então, esse é um treinamento também.
No Budismo se diz que o Buda tinha isso que era a dupla realidade: ele via dentro de um aspecto amplo e via dentro de um aspecto curto, né? Mas a normose é super tocante, né? Quando a gente estuda a roda da vida, né? Os 6 reinos, os 3 animais...
Os infernos
Quem tá, por exemplo, no reino dos infernos - os infernos correspondem a um contexto cristão, judaico-cristão ou também islâmico - lá que tem os infernos. No Budismo, os infernos, eles têm uma outra visão, né? Ainda que a gente usa a mesma palavra, como eu expliquei pra vocês. A gente vai usar o quê, né? Vou usar as palavras desta cultura né?
Mas, por exemplo, os infernos budistas são melhores. Se vocês forem julgados e forem pro inferno, você diz - Um momento, a gente pode optar pelo inferno budista? Aí tem o departamento. - Eu sou budista e eu preferia ir pro inferno budista, é possível? É que do inferno budista tem como escapar, pessoal. Tem essa diferença super importante.
Tem algumas variantes que são problemáticas também. Por exemplo, a gente pode estar vivo aqui e no inferno. Já os cristãos, de modo geral, eles só vão pro inferno depois de julgados, né? Tem umas variações, também é justo, né? Mas, então se diz - os infernos são descritos - uma coisa parecida com aquelas gravuras dos naturalistas - coisas do Rio Grande do Sul, do Brasil, de diferentes lugares - eu vejo aquelas pinturas das charqueadas em Pelotas, Rio Grande do Sul... Eu lembro: aquilo é o inferno. Pega aquele ser, corta, tira a pele, expõe os testículos, abre ele, põe pra secar no sol, ... O ser não tem solução. Uma coisa mais ou menos assim. São os infernos. Mas quem tá nos infernos, se a gente olhar os aspectos grosseiros, seria isso. No aspecto sutil, a pessoa olha em volta e só vê inimigos. Vocês pode imaginar o gado, num rodeio, as pessoas correndo atrás pra matar eles... Olha em volta e só vê inimigos, né?
Numa guerra também, a gente olha em volta e vê os inimigos, e tem medo daquilo. E quando nós temos medo e agressão, aquilo é a base da nossa inteligência, da nossa emoção, da nossa energia, quando a gente vê isso, essa normalidade dos infernos, ela nos faz, por exemplo, lançar duas bombas nucleares sobre o Japão. Nos faz bombardear regiões do Japão e matar cem mil pessoas só com bombas incendiárias... Em Tóquio. Nos faz bombardear Colônia na Alemanha, dentro de uma experiência de criar uma única chama na cidade inteira. A chama era tão forte que cozinhou as pessoas dentro dos abrigos anti-aéreos. Então, aquilo pertence à normalidade, né? Qualquer instituto militar de engenharia estuda não só a economia de nêutrons numa bomba mas também a economia monetária de quantas pessoas mortas por dólar investido numa bomba, né? Eles calculam: é melhor lançar mais alto, mais baixo, para aquilo funcionar melhor, né? E as pessoas depois vão pra casa, escutam música clássica, cuidam das crianças, levam elas pro jardim da infância, comem comida integral, comem saladas pra não pesar demais no corpo e seguem estudando isso. Isso é normose, pessoal. É como, por exemplo, o governo americano - agora diminuiu um pouco - mas o Obama se reunia toda semana pra ver onde é que eles iam utilizar os drones para matar gente aqui e ali. Especialmente no Afeganistão. Isso pertence à normalidade da guerra. À normalidade dos infernos. A normose dos infernos não significa que as pessoas não sejam pessoas inteligentes. Elas tão dentro de uma forma de raciocinar assim, né?
Escolas, formação acadêmica e profissional
Então nós tamos vivendo isso. Só que nós tamos vivendo num tempo em que a normose desse tempo é alguma coisa que talvez nos jogue numa grande dificuldade, se é que essa grande dificuldade já não se instalou, né? Então, é super importante a gente conseguir quebrar isso. Só que nós tamos vivendo hoje em muitas diferentes culturas. Essas diferentes culturas estão revelando uma incapacidade - elas dialogam entre si e produzem tensão. E aí quando nós tentamos entender umas e outras, a gente pode dizer que uma não entende a outra direito. A gente pode dizer, por exemplo, o pai não entender o filho, não entender a esposa... A gente começa a habitar bolhas específicas, né?
Dentro disso, a escola também tá se sentindo perdida, né? Porque a escola vem pra educar as pessoas para ocupar espaços dentro da normose. A normose tá em crise. Então, a gente fica em dúvida, assim. Às vezes, as pessoas até vem pra mim: "Lama, eu estudo psicologia ou estudo o budismo..." E aí eu também não sei nem o que dizer, né? E eu digo: "Olha, se fosse meu filho... Estude o budismo. Mas tudo bem, eu não sei como você vai fazer isso." Eu tenho vários alunos que eram psicólogos e foram estudando o Darma do Buda e foram achando que poderiam ajudar melhor de um outro modo. Eles depois entraram em crise. E tem alunos também médicos que se sentiram... Como se diz, assim - isso eu vi de um filme infantil, né? Filme do Senhor Incrível. Achei aquele argumento maravilhoso, né? - Ele dizendo: "Eu me sinto uma horista, uma faxineira." Isso eu ouvi também de centro espírita. "Me sinto uma faxineira." Ele era uma espécie de super-herói, né? Então ele salva aqui, salva ali, salva ali... Daqui a pouco a pessoa se joga de novo e ele salva, salva... Assim, então me sinto uma faxineira. Tô sempre arrumando aquilo, mas o mundo inteiro tá sempre com problemas. Então, o mundo - dentro de sua normalidade - vai produzindo obstáculos. Eu já vi médicos dizendo isso, né? Porque a pessoa tá agindo contra sua própria saúde. Aí, ele vai lá e conserta, arruma, ajeita e dá um remédio... Aí, passa 6 meses, a pessoa tá de novo. Ela não altera o hábito dela. Ela tá atuando contra a própria saúde. Aí ele começa a desanimar. Os psicólogos também. Eles podem ter a sensação de que a pessoa tá num lugar que mói carne. Numa empresa. E ele tá ali, parecido com um médico de centro de tortura. Quando o torturado tá muito mal, ele conserta ele, arruma e manda ele de novo pras sessões de tortura. Todo centro de tortura tem médico. Então, as pessoas dentro do mundo começam a adoecer, elas passam mal, aí tem que ter alguém que conserta. Mas a pessoa olha e acha que tá perdendo tempo. Sente que tá perdendo tempo naquilo, né? Eu ouvi isso também de um médium espírita. Ele dizia: "A pessoa chega lá eu descarrego ela toda, limpo, deixo ela zerada. Ela vai embora. Daqui a uma semana, ela tá lá de volta. Toda carregada de novo. Eu vou lá, zero ela toda. E quando ela tá ótima, ela sai e apronta por todo lado. E aí quem é que tem que fazer o serviço sujo? Eu. Então eu sou uma faxineira."
Então, esse é o ponto da normose, né? É super importante a gente sacudir a normose. Sermos fatores lúcidos. Incluirmos a nossa própria decisão de ultrapassar todas essas dificuldades e poder olhar isso.
Unipaz
Então, eu fiz essa pequena introdução pra gente escutar agora o Crema aqui, que representa também o nosso mestre, fundador da Unipaz, que a gente tem esse carinho todo, o Pierre Weil. Particularmente, eu me senti muito beneficiado - hoje eu tava dizendo pro Crema - é como também o Chagdud Rinpoche, o meu mestre, ele veio pro Brasil a convite da Unipaz. Ele veio a um congresso, que eu acho que foi em Brasília. Um congresso muito importante no final da década de 80. A partir disso, ele começou a vir ao Brasil. Eu não conheci ele no início, mas eu vim a conhecê-lo em 93 quando ele veio a Porto Alegre. E se radicou aqui em 94. Então, eu fico muito comovido, muito feliz.
No meu início também, quando eu fui ordenado Lama, e até um pouco antes disso, a Unipaz me convidou e eu comecei como facilitador da Unipaz. Muitas diferentes cidades... E em várias dessas cidades as pessoas também se interessavam pelos ensinamentos budistas e aquilo prosperou, assim. Então, tenho essa gratidão, amizade, assim. Então, agradeço, é uma felicidade ver o Crema aqui conosco.
- PERGUNTA: Esse passo de transgredir a normose, como é que é assim? Como seriam os primeiros passos? O que vocês sugerem pra quem tá começando a entrar em contato com tudo isso agora? De onde vem essa coragem pra mudar?
- LAMA: Eu não sei se o termo é "coragem". Talvez não seja, sabe? Porque quando a gente vê as coisas de uma forma mais nítida, a gente se move naturalmente, então não tem uma sensação de que há algum obstáculo nisso. Quando a pessoa olha de uma forma mais nítida, aquilo flui de modo natural. Eu não vejo que a espiritualidade seja alguma coisa de um herói. Que a gente tenha que, então, fazer um sacrifício. Quando a gente olha as imagens medievais, parece que os santos medievais faziam grandes sacrifícios. Na visão budista, isso não é assim. Eu acredito que na espiritualidade isso não é verdadeiramente assim. Quando a pessoa olha as coisas, ela vê oportunidades, ela descortina uma visão maior e ela usa outros elementos que as pessoas não tavam vendo. Então, na perspectiva budista, é isso. A normose é uma limitação da visão. Se a pessoa consegue um olhar mais amplo, melhor.
- PERGUNTA: Como vocês vêem essa questão, que é sobre espiritualidade, como que isso poderia entrar um pouco mais pros nossos jovens e crianças? Entrar nessa parte educacional. Como que isso seria inflitrado, esses ensinamentos sobre a normose, sobre a transdisciplinaridade? Essa parte.
- LAMA: Essa questão não é muito fácil porque a educação preenche uma expectativa social. A educação começa com a comunidade. A comunidade tem uma expectativa em relação a seus jovens. Quando nós temos uma expectativa mais elevada, a escola melhora. Quando nós temos uma expectativa normótica, a escola é normótica, né? É muito difícil a pessoa introduzir um elemento na escola que seja dissonante da visão da própria comunidade. Porque os pais vão reclamar, todo mundo vai reclamar. Mas vamos supor que houvesse uma comunidade que tem uma visão mais elevada. Como é que é possível introduzir esses fatores? Não acho isso um grande problema, sabe? Acho que crianças pequenas, elas podem entender vários aspectos interessantes. Por exemplo, elas podem entender que a gente tá cansado mas a gente pode mudar a mente e ultrapassar o cansaço. A gente pode estar se sentindo mal mas daqui a pouco aquilo muda. A realidade inclui os aspectos internos. Então eu vejo assim - um elemento muito importante na espiritualidade é nós introduzirmos o mundo interno como inseparável da aparência com que estamos lidando. Se a gente tá trabalhando com isso, a gente superou o aspecto separativo da realidade. Quem ultrapassa o aspecto separativo tem uma grande vantagem. Por exemplo, a pessoa pode utilizar as cinco visões que são básicas do Budismo, né? Mas elas são visões de bom senso, assim, se a gente apresentar aquilo fora do Budismo, todo mundo entende também. Por exemplo, nossa capacidade de entender o outro no contexto do outro. Isso é uma coisa necessária pra qualquer chefia, né? Se a pessoa pretende ter alguma posição em algum lugar, a pessoa tem que ser capaz de entender os outros com quem ela tá lidando no mundo do outro. Ela não pretender esperar que o outro vá entender o chefe no mundo do chefe. Muito mais difícil. Se as relações são horizontais, as pessoas que conseguirem entender os outros no mundo deles vai ter uma predominância. Porque ela vai conseguir dialogar, ela vai ter uma linguagem com cada um. Quando nós não temos linguagem com as pessoas é porque não estamos conseguindo entender o outro no mundo do outro. É interessante. por exemplo, nós conseguimos entender os animais.
(parei em 1:22)
quinta-feira, 5 de março de 2015
História da Expansão do CEBB - Transcrição
História da Expansão do CEBB
Transcrição da palestra "O que estamos fazendo no CEBB #3" - Lama Padma Samten - 2015
( Para o Ação Nalanda, mandala de transcrição do CEBB )
[O encontro de
facilitadores do CEBB]
(Preces e mantras) Bom dia. Então, eu queria dizer também,
confessar minha alegria de ver vocês aqui, né? Todo mundo... Cada um vem de um
lugar, né? Isso é uma coisa rara, a gente poder se encontrar todos no mesmo
espaço nesse tempo assim, né? Então é um momento especial, é como se fosse um
dia, assim. A gente se encontra, né? Cada um vem de um lado, né? E hoje eu tava
vendo as pessoas também conversando, né? E é bonito de ver. Porque não tem
muitas oportunidades, fisicamente, da gente se encontrar, né? Ainda que a gente
esteja fazendo as mesmas coisas. Todo mundo tá sabendo um pouco uns dos outros,
né? Mas é super bom a gente se encontrar pessoalmente assim. Muito bom isso.
[Aspectos Grosseiros
do CEBB]
Então, eu tava falando dos aspectos mais sutis, né? Agora eu
vou falar do aspectos mais grosseiros: os terrenos, as obras, as coisas assim.
O que nós tamos fazendo, né? O que que a gente tá pensando em fazer ainda...
Como é que tá isso, né? E, nesse encontro, também vão surgir outras ideias e
aquilo vai evoluindo. Então, é super importante a gente ter essa oportunidade
de trocar, de sentir. Eu acho que a maior parte de vocês sabe o que eu tô
pensando porque eu tenho falado constantemente assim, né? Mas é bom falar de
novo, né? Sempre tem alguma coisa nova, né?
[História da Expansão
do CEBB – Primeiro endereço: POA]
Então eu vou lembrar de forma rápida como é que começou essa
expansão e o que é que tá motivando essa expansão, o que é que tem acontecido,
né? Então, o que aconteceu é assim: o CEBB, na verdade, começou em Porto
Alegre, né? Vou contar a história bem curta. Porto Alegre. Rua Barão do Serro
Largo, 487. Antes disso, o CEBB teve vários funcionamentos. O embrião, o
início, o coração começou a pulsar foi na casa do Celso Marques. A gente
começou fazendo as práticas de zazen nos sábados. Depois, a gente abriu um
horário nas quartas. Depois, a gente abriu um horário segundas. Depois, aquilo
ficou segunda, terça, quarta, quinta... No fim, a gente tomou conta da casa do
Celso. Aí aquilo começou a incomodar um pouco... Era uma casa, uma casa de
família. Ele não nos expulsou, né? Mas a gente viu que não tava bom pra ele.
[História da Expansão
do CEBB – Segundo endereço: POA]
Aí, com o tempo, a gente começou a procurar algum outro
espaço que poderia ser útil. A gente fazia meditação quatro e meia da manhã.
Era um tempo especial. Eu tinha um fusca e o fusca pegava as pessoas nas várias
casas e levava, aí vinha mais alguns carros e a gente praticava. A gente
começou a praticar também na casa do Murian, no apartamento do Maurian. Aquilo
foi um período super interessante, porque eu vi as crianças dele crescerem, né?
Hoje o filhinho deles é o Uzi (?) lá do Gonpa, né? Tá há muito tempo lá no
Gonpa, muitos anos. Então, surgiu uma sanga maravilhosa. Eu vi eles nascendo, vi
na barriga das mães, aquilo foi indo, assim. Por isso que quando eu vejo uma
mulher grávida, já me alegro. Só que mais adiante... (risos) Eu vejo os
praticantes nascendo, vi a mamãe da Tatá, também. O tempo passa. Acho super
bonito isso. O tempo vai passando e – quem diria? – a Tatá olha como tá,
maravilhosa. (risos) Aquilo vai indo... É muito bom. Então, tem esse aspecto
assim, antigo, né? Aí o CEBB num certo momento se estabeleceu na Barão do Serro
Largo, 487. Porque a minha mãe morava em Porto Alegre e se mudou pra Rio
Grande. Aí eu comecei a afastar os móveis da sala. A gente fazia prática.
(risos) Aí, com o tempo eu tirei os móveis da sala, empurrei pra algum lugar e
aquilo ficou. Aí, de vez em quando, ela vinha e olhava aquilo. Achava mais ou
menos... Aí, ela resolveu fazer um investimento: fez uma lage em cima da casa e
fez a sala de meditação em cima, né? Ali ficou um lugar super agradável. Muito
bom, né? Então, a gente usou durante um longo tempo. O Lodi Gyari Rinpoche
teve lá. Foi um tempo assim, né? Teve outras pessoas super conectadas as SSDL.
Foi no período em que a gente tava recebendo os organizadores pra poder receber
o Dalai Lama em Porto Alegre. A gente começou a organizar eventos em Porto
Alegre, junto com a universidade, Sociedade Brasileira de Física, Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência, Universidade Federal ... A gente
começou a organizar eventos de 3 meses de duração com diferentes palestrantes
toda semana. Foi no final da década de 80. Aí veio o Alex Perzim, veio Jose
Ignacio Cabezon... Ele foi um dos tradutores do Dalai Lama por várias vezes... Quando
o Dalai Lama ia a Bodigaya, tinha o encontro com as sangas e aí ele traduziu,
várias vezes. Ele tem muitos livros publicados. Ele teve aqui no sul duas
vezes. Aí, naturalmente veio a Hélia Diski (?), vieram muitas pessoas. As
sangas tavam todas iniciando, porque os anos 80 foi o início das sangas, né? Aí
aquilo foi andando. Mas teve um certo momento em que a sala ficou pequena
também. Naquela sala o Chagdud Rinpoche deu a primeira iniciação. Deu iniciação
de Guru Rinpoche, deu iniciação de Ngondro. Foi onde a gente começou também as
práticas de Ngondro, naquelas salas. O monge Tokuda também. Aquilo foi
interessante, né? Porque o monge Tokuda chegou no dia em que nós távamos
finalizando a sala. Nós tínhamos pintado, arrumado, ajeitado tudo... A sala
tinha sido construída e nós távamos finalizando, né? A gente queria fazer o
primeiro zazen ali. Não conseguiu. O primeiro zazen já foi feito com o Tokuda.
O Tokuda chegou na manhã seguinte, entrou – “Já tem vibração nessa sala”. Aí
ele deu nome pra sala, deu nome pro centro zen, foi um momento interessante,
foi muito bom. E a gente funcionou por muitos anos ali. Mas aí, enfim, a sala
começou a ficar pequena. Quando Rinpoche ia a Porto Alegre, a sala (lotava).
Aí, no fim, quando eu tava lá também, a sala (lotava). Aí um dia surgiu essa
ideia – “Quem sabe a gente compra uma área...”
[História da Expansão
do CEBB – Terceiro endereço: Viamão]
E aí no fim a gente comprou essa área aqui em Viamão. Foi no
ano de 97. E aí, em 97, a gente se mudou pra cá. E já chamava “Caminho do
Meio”, né? A gente aproveitou o nome. CEBB Caminho do Meio. A gente leu uma
previsão: “No futuro, haverá um centro budista no Brasil num local chamado
Estrada do caminho do meio...” (risos) Não, isso não havia não. Tô brincando.
Mas é um bom lugar, né? Aí a gente se estabeleceu aqui. A gente pensou: “Bom,
agora sim.” Mas era um tempo em que tinha muito menos movimento ao redor. E a cidade,
a zona metropolitana, vai crescendo, crescendo, crescendo... Aí começou a
surgir um pouco de ruído. No início, aqui era super heroico. Era como se fosse
um pouco afastado, realmente. Por exemplo, não pegava celular e não tinha linha
telefônica fixa. E não tinha internet. Era assim. Pra mandar um recado, pega o
cavalo e leva até lá. (risos) Era um tempo heroico, era bonito. 97, vocês
pensem... Há pouco tempo atrás, né? Até a gente ter a primeira linha física e
os celulares começarem a funcionar levou um tempo. Aí veio a linha física, veio
a internet... Mas, sempre difícil a linha física, tinha ruído, complicado. A
gente nunca conseguiu uma linha física boa, até que a gente desistiu. Hoje a
nossa linha é de celular. A física é melhor abandonar. Aí, a gente começou os
retiros. Os retiros curtos, um pouco maiores, os retiros de 3 meses, no Lótus
Dourado, uma casinha de madeira dentro do bosque. Super bom. Aquilo parecia
maravilhoso.
[História da Expansão
do CEBB – Pernambuco]
Aí, com o tempo, começou a ter uma demanda. Aí já não tinha
muitos horários, não tinha muito espaço pras pessoas fazerem retiro. E as
pessoas começaram a querer fazer retiros mais longos também. Aí o que
aconteceu? Surgiu uma oferta de uma área de terra em Pernambuco. Eu achei aquilo
maravilhoso, porque ampliava em direção ao Nordeste, que eu já tava visitando
há muitos anos. Eu achei super bom. A primeira visita ao nordeste foi a Ana
Rickley (?). Ela me convidou porque ela era consultora de organizações. Ela me
convidou nesse âmbito. Aí eu fui lá. E a Ana tinha uma conexão com o Gonpa, de
algum modo. Chagdud Gonpa. Então, quando eu cheguei ao Nordeste eu ajudei um
bocado lá, a consolidação do Chagdud Gonpa no local. Aí aquilo funcionou bem
durante um bom tempo. Mais adiante, o grupo da Bahia também apoiou o surgimento
do grupo de Pernambuco. A gente pensa que é ao contrário, né? Mas na verdade
foi assim: primeiro a Bahia, depois Pernambuco. Foi o Valência (?). Esse ano o
Valência (?) teve aqui também em dezembro. O Valência (?) que me convidou
também dentro de um âmbito de empresas. Não sei se era 20 anos da empresa dele
ou 30 anos, foi uma coisa assim. Ele convidou todos os facilitadores do grupo
dele e teve um encontro grande lá em Pernambuco e ele me convidou. Aí, eu tava
lá. Era um encontro esquisito, daqueles encontros empresariais: uma grande mesa
num hotel (risos). Bonito. Mas aí, o Valência (?) e a família dele apoiaram
durante um longo tempo. A Albânia (?) também veio várias vezes aqui . Albânia
(?) é a esposa dele. Ela terminou sendo coordenadora do CEBB lá de Pernambuco e
aquilo avançou. Foi avançando. Até que nós tivemos esse oferecimento da terra
pelo Roberto Fischer (?) e aquilo foi um período muito interessante, que teve
várias nuances. Mas, enfim, nós tamos lá numa área de 15 hectares. Escriturada,
direitinho, e nessa área a gente conseguiu estabelecer um centro de retiros aonde
as pessoas têm feito retiros mais longos. 1 ano, 2 anos, 3 anos... Tem feito
lá. É uma área isolada. E a gente continua construindo, continua melhorando lá.
E aquela área me pareceu muito favorável porque ela tá no meio de um arco que
vai de Salvador a Fortaleza. E ela tá equidistante de Recife e João Pessoa.
Então, já é uma área interessante, assim. As pessoas podem se deslocar por 100 km
e chegam ali, né? Tanto de Recife quanto de João Pessoa. E, um pouco adiante,
Natal. Então, aquilo pode dar origem e servir de apoio àquela região toda. É o
que eu tava imaginando, né? Enfim, especialmente pelo trabalho agora do
Henrique, que tá localizado lá, da Bia, da Marcinha, teve uma grande expansão,
com o apoio da sanga de Recife. Do João, da Flori (?)... Um grupo bem grande,
assim, né? Teve uma expansão acentuada. Então, os retiros lá – de modo geral –
têm a sala cheia. Vem gente de todo lado do Nordeste, né? Super bonito, assim.
Agora, bem recentemente, da última vez que eu tive lá, eu vi um grupo grande de
jovens que tão se deslocando pra morar lá, na área. Achei aquilo super bom,
assim, maravilhoso. Então eu considero que tem um grande êxito nessa
localização no Nordeste. Ontem eu tava falando com o monge Monteiro e ele tava
me falando porque é muito difícil o Nordeste. Ele tava me explicando porque é
que o Darma vai entrar com grande dificuldade no Nordeste. Eu achei
interessante mas, de qualquer maneira, não é assim, né? Então, ele tava dizendo
como tem o aspecto familiar e cristão e católico ou evangélico, é super fechado
no Nordeste. Então, como é difícil uma pessoa se tornar praticante, porque ela
é policiada pelo resto da família, que é muito próxima e começa a pressionar,
assim, né? De qualquer maneira, nós tamos avançando. Não sei. Isso eu não
conversei nem com a Flori (?) nem com ninguém do Nordeste, não sei como é que é
isso. De qualquer maneira, a gente desconhecendo isso, a gente fez coisa
andando, né? Então, foi o segundo centro rural, assim, foi Recife, né? Quer
dizer, foi Timbaúba.
[História da Expansão
do CEBB – Brasília e Alto Paraíso]
E depois surgiu – bem recentemente, né? – a Inês apareceu
por Brasília. E de Brasília ela foi com uns amigos da própria sanga... A sanga de Brasília surgiu assim como da noite
pro dia, né? Parecia que aquilo tava pronto, né? Foi impressionante. E surgiu
com força: gente articulada, inteligente, capaz de fazer as coisas funcionarem.
Foi super rápido. E de Brasília, apareceram pessoas que tinha casas e tinham
contatos em Alto Paraíso. Daí eu pedi pra Inês ir lá pra dar uma olhada. A Inês
achou aquilo super propício. Aí eu fui lá também e achei aquilo maravilhoso.
Pensei assim: “Vou morar aqui. Vou me deslocar pra cá.” Por que? Porque - a
água límpida. Pros paulistanos a gente tem que começar falando assim, né?
(risos) Água límpida, abundante. (risos) Pros cariocas também, agora a situação
tá assim, né? Aí, aquilo maravilhoso. Montanhas assim que parece que são de
outro planeta. Montanhas incríveis, né? Maravilhoso. Sol límpido, céu límpido.
Um perfume no ar, né? Depois a gente conseguiu uma área do lado do Rio dos
Couros que divide com o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros com 65 mil
hectares. Então, nosso quintal é 65 mil hectares preservados. Pensem! A gente
pode ter assim 100 metros quadrados, aí tem o parque todo ali. Isso é uma boa
coisa. É, o jardim de Maitreya. Tem esses nomes todos. A cidade, a avenida
principal da cidade é Avenida Kundalini. (risos) A cidade é dividida em
chacras. (risos) É tudo assim. (risos) No pórtico da cidade, uma nave, assim,
disco voador. A praça é pros vários elementos, assim. Super. Tem um Guru
Rinpoche, me admirei. Tem muitos grupos que tão escondidos em vários lugares,
aí eu fui lá visitar um dos grupos e tem uma enorme estátua de Guru Rinpoche,
na beira do Rio dos Couros. Eu juro pra vocês que, quando eu olhei pra ele, ele
piscou o olho. (risos) Vocês vão dizer que não foi mas foi. (risos) E ele fez
assim, atrasado né? (risos) Maravilhoso. Aí eu tava vendo o que que Guru
Rinpoche vai fazer... Porque eles construíram a estátua na beira do rio e não
pode, né? Tem as normas ambientais – tem que ter 15 metros, 30 metros... Não
pode construir, mas eles construíram na beira do rio. Pensei: “Agora eu quero
ver como é que eles vão fazer pra desmanchar o Guru Rinpoche. Eles não vao
conseguir, né?” E não conseguiram. Guru Rinpoche ficou lá. Então, é assim, tem
muitos grupos interessantes, né? Porque, vocês sabem, essa coisa do samsara,
vai apertando daqui e dali e as pessoas – vlupt – vão pra algum lugar mais
perto de um portal cósmico. O pessoal vai pra Alto Paraíso. Aí tem muitos
grupos interessantes, né? E a gente começou a interagir. Então eu acho que uma
das coisas maravilhosas de lá é essa riqueza humana. A riqueza também da
cidade. Eles olham pra nós e sabem o que é que nós tamos fazendo. Super bonito.
E aí nós chegamos lá e a gente começou a conversar e a organizar eventos de
diálogo com os vários grupos, né? Aquilo foi super bom. Porque cada um chegava
como salvador, né? Então eles têm uma certa dificuldade de conversar uns com os
outros. Aí a gente chegou lá conversando. Aquilo ajudou bastante. E, logo em
seguida, a gente também se conectou com a Escola Vila Verde. E a gente terminou
incorporando a escola pra nós, porque eles tavam com alguma dificuldade... A
gente terminou assumindo. A pessoa que tava dirigindo a escola, ele era um xamã
colombiano, uma pessoa super legal, assim. Mas ele tava fora, com desvio de
função, né? Assim, era um xamã gerindo (risos), aquilo não tava dando muito
certo, assim. (risos) Aquilo não tava indo muito bem, né? Então, agora aquilo
tomou um rumo, assim. Eu pedi pro Fernando e pra Eliane irem pra lá, aí eles
saíram de Maceió e se deslocaram pra lá. Então, nós tamos reforçando, assim,
reforçando o funcionamento da escola. O Edgar e a Maria Eugênia ajudaram muito,
assim, eles colocaram em ordem a escola esse ano, né? A parte contábil. A
escola era deficitária. A gente conseguiu – mais ou menos – arrumar aquilo.
Então, a gente tá avançando. Foi uma super aventura.
[História da Expansão
do CEBB – Recôncavo]
Aí, nesse ínterim, a Ana Ricl também queria uma terra assim
- ela tinha esse sonho. Enfim, agora a gente tem o CEBB Recôncavo, que é um
lugar super bonito. Depois, a Ana vai falar um pouco. O aspecto do local,
assim. Um local tradicional dentro da Bahia. Lugar super especial. Enfim, foi
uma coisa hábil da Ana, porque ela comprou uma pousada. Aquilo já tava pronto,
assim, né? Tudo funcionando. Pousada dum casal francês. Então, é muito legal.
Tem casas nas árvores - tem umas coisas assim, né? Tá pronto. Tem asfalto na
frente. Tudo pronto. Água, luz... Tudo funcionando. Foi uma grande vantagem. E
agora eles tão se preparando pra construir o prédio. Tem projetos de
engenharia, de arquitetura e tá avançando assim. Muitos consultores... Ana vai
organizando. Não sei bem, deve começar em breve, né? É. É interessante que
dentro da área tinha uma antiga igreja da região. Uma igrejinha bem pequena,
assim.
Ana: – Quando a gente transformou a gente percebeu que tinha
ainda a marca do altar. E tinha a marca da porta de entrada. E aí ficamos
sabendo que aquilo era uma igreja. Que já foi igreja há mais de 20 anos atrás.
E, pra nossa surpresa, a cruz da igreja tá lá. Quando a gente passa, a primeira
árvore, ela tá lá. Naquele pé de árvore, há mais de 20 anos, aquela cruz tava
ali, né?
Lama: – E ela tem uma ligação emocional com a região, né?
Pessoas casaram, batizaram os filhos... A gente resolveu botar aquilo de volta.
Arrumar, né?
Ana: - É.
Lama: - Nós vamos chamar um padre lá.
Então essas eram as nossas conversas, né? Então, tá
avançando.
[História da Expansão
do CEBB – Curitiba]
E aí o Bruno tinha esse pensamento antigo, assim. Da
coordenação lá do CEBB Curitiba. Muitas vezes tínhamos sonhado, tínhamos olhado
terras... A gente tinha avançado e daí surgiu essa decisão. Apareceu uma área
maravilhosa também. Eu pensei: “Bá, eu
vou pra lá.” Eu sou volúvel, como vocês veem. (risos) Timbaúba também. “Vou pra
Timbaúba.” Construí uma casa, depois construí mais uma lá. Vou pra lá. Aí
pensei: “Bá, Curitiba... É especial, né?” Nós tamos a 25 km do aeroporto ali.
Em rota direta, não passa nem pela cidade. Uma zona preservada, estrada
construída por Dom João. Dom Pedro, aliás. E uma zona que se tu segue dá pra
descer de bicicleta até Paranaguá. Uma super descida né? Um caminho super
especial. Acho que foi duas ou três vezes – a gente foi de bicicleta do CEBB
Curitiba até a área lá, dá 35 km. A gente foi e voltou. Super bom. Passando por
cidadezinhas pequenas ou indo pela rodovia dá pra chegar lá. Achei aquilo
maravilhoso. Uma área que seria 85 hectares, né? Era 90, virou 85. Agora vai
virar 80. E fonte d´água... Viu paulistanos e cariocas e mineiros? Bastante
água. Maravilhoso. Fica junto daquele morro que... Anhangava. Fica na divisa do
parque. Então, um lugar super bonito, um bosque denso, com áreas planas gramadas
(risos) para o bem ou para o mal, né? Lugares super bonitos, como bosques de
eucaliptos também. Dá pra construir depois dentro, né? Utilizar madeira e tudo.
Uma estrada de asfalto na frente. Muito bom. Muito bom. Harmonizado. A
vizinhança toda entendendo o que nós tamos fazendo. Dando apoio. A primeira
sanga fora de Porto Alegre foi Curitiba, né? É muito antiga. Tá consolidada lá
há anos, né? As pessoas tem uma maturidade sobre o que estão fazendo. Então,
muito bom.
[História da Expansão
do CEBB – Florianópolis]
Antes disso, Canelinha, né? Pouco antes de... Onde é que tá
o Rossano? Ali. Aí, um pouco antes da terra de Curitiba, a sanga também de
Florianópolis, uma sanga antiga, né? Madura também, né? Ainda que passe por
várias coisas assim... (risos) Várias fases, né? (risos) Mas é uma sanga
consolidada, com várias cidades no interior também. Com práticas, né? Aí a
sanga de Santa Catarina se reuniu, a gente também olhou muitas diferentes áreas
até que a gente se decidiu por aquela. Nesse momento, a gente tá com o templo
praticamente... Quer dizer, ele tá com as paredes e o piso. Falta o teto. Mas
isso não é um grande problema, né? Na verdade já tá tudo projetado direitinho,
eles vão no final de fevereiro começar a obra. É isso, né? É. Pra colocar
aquilo é uma coisa rápida. É rápido. Então, em maio deve ter a inauguração, né?
320 metros, não é isso? Ou seja, eles resolveram fazer maior que aqui, assim. Eu
não sei se tem algum tipo de problema, assim. (risos) Aí cada um tenta fazer um
pouco maior. E eles, secretamente, pensam: “Então, vamos levar o Alan Wallace
pra lá.” (risos) É assim. Aquilo, a motivação é mais ou menos, né? (risos)
Então, depois, Curitiba...
[História da Expansão
do CEBB – Viamão hoje]
Aí, eu tava realmente pensando assim: “Vou pra Alto Paraíso.
Tô me organizando, potencializando a escola, aquilo dá pra ir, né? Eu acho que
eu vou, né?” Mas aí tive uma recaída. (risos) Aí eu pensei: “Não, muito
trabalho... Leva muito tempo, nem foi trabalho.” Trabalho nem é o ponto. Leva
muito tempo até uma sanga se consolidar num local. Até que o local físico
começa realmente a funcionar, assim. Aqui nós temos vários tutores morando, uma
sanga grande. O problema que eu vi aqui é que nós não temos área de retiro. É
muito ruído aqui. Aqui tá ficando um local urbano, né? Não só na redondeza como
aqui dentro também, né? Então, tem muito movimento. Eu também percebi assim: Um
local com as famílias é super bom, mas é um pouco perturbador pros praticantes
que vêm. Homens e mulheres, né? Porque tem uma capilaridade rápida, assim... As
pessoas chegam e tem sempre alguém simpático. (risos) Aí, eles mudam de ideia.
(risos) Eles tão com ideias super profundas e aí aquilo – plum – abrem-se
portais, assim ,floridos e perfumados, né? E a felicidade – plum – surge assim...
(risos) Aquilo é invariável. Depois de perder uns 4 ou 5 praticantes assim, eu
pensei... (risos) Bom, isso é um problemas que nós temos aqui. Mas teve um
praticante que teve lucidez. Ele – antes de ter um problema maior – ele disse:
“Lama, tô indo embora.” (risos) Ele veio
aqui pra fazer prática e fazer retiro, mas aí ele pensou: “Não vai dar certo.
Aqui eu tô oscilando. Vou é embora.” (risos) Mas, sabe como é – muita
felicidade ao redor, né? Aí ele foi embora. Aí eu pensei: “Nós vamos precisar
fazer algumas coisas, assim...” (risos) Aí comecei a procurar uma área pra
retiros. Aqui próximo. Inicialmente na zona da... Mais pro litoral. Porque tem
uma região muito ampla selvagem. Litoral. Eu acho aquela região super
interessante por quê? Porque ela é uma faixa estreita de areia. Não tem nada
ali. Não tendo nada, não tem atividade econômica, entende? Ali eles plantam
arroz e fazem silvicultura, né? Plantam árvores. Então não tem impacto, não tem
densidade populacional, não tem futuro de densidade populacional ali. Aquilo
não vai a lugar nenhum. Então, é um bom lugar, assim, né? E aí eu pensei que
aquilo era interessante. Aí, tive olhando e vi que o preço da terra ali era
menor que em Timbaúba. Menor do que no Nordeste. Bem menor. Aqui é ótimo. Além
do mais, dava pra sair pedalando daqui e chegar lá. Pensei: Isso é uma boa
coisa. Aí continuei olhando as terras...
(Interrupção na
transmissão desde 45 até 48 minutos.)
Tem um nobreak aqui só pro sistema de som, né? (risos) Então
vamos indo. (risos)
[História da Expansão
do CEBB – Amazônia]
Outra pessoa fala:
- A gente tem o CEBB que a gente tá começando lá da Amazônia, já faz um ano,
com as bênçãos do Lama. É um lugar, terra búdica na Amazônia nossa, né? Pros
paulistanos, tem muita água lá também, assim. (risos) É muito pequenininho,
muito bonitinho – digamos assim, mas é imerso em plena floresta, no rio Negro.
Dá 200 kilômetros de Manaus. A gente tá
com esse movimento lá. Já tem um pequeno temploca, que é um sincretismo entre
oca e templo, porque já tinha uma oca antes. Porque o rio Negro era muito povoado
antes da chegada dos Portugueses, então aquele local já era uma terra indígena.
Pro nosso CEBB, então, é maravilhoso, porque já tem uma terra preta. Porque a
terra preta é... Nela pode ser feita agricultura – e também é raro isso lá. E
vai ser um local – como eu disse pro Lama – um lugar perfeito pra gente sentar
e meditar, imerso na natureza. E é isso, a gente já tá há um ano, tá
terminando. Já tem um pequeno alojamento. Já tem a casa do Lama, quase pronta.
(risos) E um refeitório, mas super pequeno, super bonitinho.
Lama: - Que área
tem lá?
Outra pessoa: -
Então, a gente também tá da mesma maneira que nem tá em Alto Paraíso, a gente
tá na frente do parque nacional de... A gente tá no meio, entre dois parques
lindos, que é o Parque Nacional de Anavilhanas e o Parque Nacional do Jaú.
Então, nosso quintal, assim, é enorme.
Lama: -
Maravilhoso.
Outra pessoa: - Mas
a nossa área mesmo, ela tem 20 hectares. Dentro de uma APA. É um lugar lindo.
Acho que o Lama divulgou pra vocês o vídeo dos botos. Aquilo ali é na nossa
frente, assim, ali. A gente pode fazer isso...
Lama: - Super
lindo ver isso. A gente chega pelo rio Negro, a porta de entrada é a praia. Aí
tem as bandeiras de oração, tu encosta o barco e entra. Super lindo aquilo. Maravilhoso.
Outra pessoa: - É
isso mesmo. É um movimento lindo. Acho que pra conservar a biosfera, como o
Lama disse, nada melhor do que sentar pra meditar imerso na natureza, porque a
gente começa a conservar naturalmente.
Lama: - Achei interessante também a amizade deles com os grupos
nativos de lá, né? Interessante isso.
Outra pessoa: - É,
a gente tem um bom contato, porque eu já tô na Amazônia agora há um ano,
morando direto, mas eu já tô lá desde 2002. Então, eu tenho uma proximidade lá
com algumas etnias e hoje eu comentei com o Lama a visão de mundo deles. Eles
olham pra gente e eles não entendem a gente. “Porque vocês tâo fazendo tudo
isso?” Não dá pra entender.
Lama: - E a gente
também não entende. (risos)
Outra pessoa: -
Exatamente. E muitos se isolam mesmo. Não querem contato nenhum com branco – o
que gera mais preconceito do nosso lado. Mas é uma maneira muito fantástica de
ver o mundo, né? E a gente tá tentando descobrir também um pouco a visão de
mundo deles. Porque como eles não nos entendem, eles não compartilham também
com todo mundo assim. É muito interessante. E é isso. Em breve a gente vai
esperar o Lama ir lá pra inaugurar, dar todas as bençãos pra pulsar mesmo... E
a gente começa a receber os praticantes que querem sentar na Amazônia e
praticar, junto. Vão ser todos muito bem-vindos. Muita paz e amor. É isso.
Lama: - Que bom,
obrigado.
[História da Expansão
do CEBB – Próximos passos em Viamão]
Então tem isso, né? Agora, bem recentemente a gente também
tá conversando numa área – de novo essa faixa aqui do litoral, né? Então, é
provável que a gente vá também expandir o CEBB nessa direção pra gente ter – eu
imaginei assim – uma área em que as famílias pudessem ir também, né? Nas férias
da escola das famílias daqui, assim. E – eu vejo – as crianças, elas se
beneficiam muito aqui. Então eu pensei: “Vou comprar uma pequena área ali” e
tem essa nossa amiga que, enfim, é corretora que ficou nossa amiga, né? Aí ela
nos levou na casa dela. Ali bem próximo da casa dela tem a lagoa do Bacupari,
que é uma lagoa tépida. Tem uma boa extensão, assim. Um lugar selvagem. Aí dá
pra contornar a lagoa, todo o local selvagem e chegar na faixa entre a lagoa e
o mar, também aquilo tudo selvagem. Super bonito. Mesmo pra praticantes é
interessante, assim. Tipo, pegar uma mochila e ir pras áreas selvagens, depois
ir caminhando tipo andarilho... Tem uma vasta região assim, que dá pra andar. Sem
encontrar gente. Então achei um lugar bem interessante. Pras crianças, é uma
água rasa que vai afundando lentamente. No fim ela fica funda, mas eu vejo,
assim, pras crianças, muito bom aquilo, né? Dá pra fazer excursão, fazer trilha
até o mato, né? Então a gente tá olhando,
é uma área de 4 hectares e meio que tá ali, né? Então, a minha ideia nessa
região também era ter como se fosse... como um CEBB, né? Do mesmo modo, assim.
As pessoas podem construir suas casas, né? Esse seria um CEBB mais aberto ali,
complementar ao nosso CEBB daqui, né? Eu acho também que seria interessante se
tivesse um número de pessoas interessadas, né? A gente expandir a nossa área
aqui também. Eu acho que era a última coisa que a gente ainda precisava fazer
pra potencializar o caminho do meio. Porque nós tamos com uma área de... Nós
começamos com 4 hectares e meio aqui. Depois nós ampliamos, nós fomos pra 10.
Esses 10 foi assim: os 4 e meio não era 4 e meio, era 5. Quando a gente mediu,
tinha 5 hectares. Então a gente passou de 4 e meio pra 5 , né? E aí a gente
comprou uma área de 5, que é daquela cerca da escola pra lá, tem uma faixa de 5
hectares. A gente adquiriu aqui. E depois a gente comprou uma faixa de 2
hectares do vizinho aqui do lado que faleceu e a família vendeu pra nós. Essa
faixa de 2 hectares é super bonita e tem um bosque que vai até o rio e
atravessa o arroio - o riacho - lá embaixo, né? Atravessa, assim. Então tem um
campo de cultura que é possível usar. Nesse momento, aquilo tá... O bosque tá
vindo, assim, né? Denso, por toda a área. E eu pensei que a gente poderia fazer
áreas de retiro lá pra baixo. Mas eu acho que o melhor, realmente, aqui...
Porque tá tremendo muito essa região. Tem uma urbanização aqui em tudo ao
redor, né? Melhor essa área de retiro mais longe. Então, esses 180 hectares eu
tô imaginando fazer pra retiro. Depois eu vou explicar pra vocês os vários
níveis e como é que vai funcionar isso. Mas tem esses 2 hectares e meio que
fica... Curiosamente, tem uma estrada lá em Josafá (?), Jatavana, tem uma estrada que corta a terra –
deixa 2 hectares e meio de um lado e os 180 hectares de outro lado. Então, 180
é retiro e nesses 2 e meio a gente faz uma pequena aldeia. Pra apoiar a área de
retiro. Então, algumas pessoas tinham esse sonho que a gente comprasse aqui do
lado. É caro, né? Porque é praticamente terreno urbano, assim. 4 hectares que
tem aqui do lado. A gente precisaria de 20 pessoas firmes, assim, pra... Que
elas queiram se localizar, aí a gente consegue comprar. Então, isso vai
depender... O CEBB nunca tem caixa. Pra isso, né? Não tem caixa. Mas a gente
faz um projeto, se as pessoas acham aquilo interessante, a gente começa. O
Macarine (?) sempre pensava isso. Eu tava indo com o freio de mão puxado,
porque eu não queria isso. Mas por quê? Porque eu não queria aumentar muito o
CEBB aqui. A gente não precisa fazer um grande CEBB num lugar. A gente pode
expandir em outras regiões. Não precisa expandir sempre no mesmo lugar. Mas eu
to achando que pode ser interessante. Aliás, tá subindo aqui agora... Pra
paulista, especialmente. (risos) Aí eu imaginei que se a gente conseguisse
comprar aqui do lado, a gente poderia fazer um grande centro de eventos. Pra
800 ou 1000 pessoas, assim. Faz uma construção mais barata, não faz um templo.
Faz um centro de eventos. Que apoia a escola, apoia... A gente tem múltiplas
atividades culturais. E quando vem eventos grandes a gente pode fazer com
conforto ali dentro, direito, assim. Acho que isso pode ser importante pro
CEBB. Acho que o CEBB hoje tem um nível de responsabilidade dentro do Brasil,
também, assim. De potencializar os eventos, a vinda dos mestres, facilitar
isso. Então, se a gente tem uma boa área pra recebê-los, isso é bom. Acho que é
uma boa coisa assim.
[História da Expansão
do CEBB – Escolas]
E, então, é o que tá fluindo assim em termos dos aspectos
grosseiros, né? Prédios, áreas, planos a nível denso, né?
Também as escolas, né? A gente, nesse momento, tá
construindo em Alto Paraíso. A gente tem sido beneficiado pela generosidade de
pessoas especiais dentro da sanga, né? Então, a escola de Alto Paraíso vem
porque teve uma pessoa da sanga que resolveu aportar recursos e a gente
conseguiu construir, né? A gente construiu 6 salas e isso dá pra – com turno e
contraturno – dá pra ir até o final do segundo grau. É uma boa coisa.
Construído tudo em tijolo de adobe. Uma coisa direita assim, bonita, né?
E aqui [Viamão] também, a gente tá construindo. Vocês tão
vendo, né? A gente construiu 3 salas, agora a gente construiu mais 3. Pelo
mesmo raciocínio, com turno e contraturno, nós vamos até o final do segundo
grau. Super bom.
Em Alto Paraíso, a escola tá na parte mais alta do terreno, assim,
uma vista, assim, pra todo parque. Tem como se fosse um vale de grandes
montanhas, assim. A gente vê. Super bonito. E ainda o Morro da Conceição do
lado. Grande morro, né, do lado. Então, lá é muito bom, né? Pras crianças, pra
todo mundo. A gente tem asfalto até a 300 metros da área do CEBB. Asfalto e
ciclovia. Tem uma ciclovia de 36 quilômetros que vai de Alto Paraíso até São
Jorge. Em São Jorge, um pouco adiante, tem lagos de água quente. É super
bonito. Especial, assim.
Agora, aqui no Rio Grande do Sul tem esse vento do inverno,
assim. Tem a névoa. Aqui é muito bom, aqui. Dói até os ossos. (risos) Pra
praticante é uma coisa especial, né? Vejo o mar aqui também... O pessoal do
Nordeste não entende o que que é o nosso mar. (risos) Eles tão acostumados com
água quente, né? Agora, vocês entrem aqui no mar, aqui no Sul, né? Uma cor de
chumbo. (risos) Aí a pessoa entrou, aquilo dá uma energia, o olho brilha,
aquela luminosidade, direto. A pessoa quase atinge a iluminação. É maravilhoso.
Aquelas águas lá, Tamandaré, Porto de Galinhas, um azul verde, né? Clarinho,
assim... (risos) Não tem graça nenhuma, né? Quentinho. Calor eu já passo em
casa (risos), quero é água assim, que parece que você vai morrer, que vai parar
a respiração. (risos) Aquilo é que é. Então, ele vai achar aquilo maravilhoso.
Aí, quando ele vier agora pra Brasília, vamos fazer essa
coisa acontecer, né? (risos) Aí tem que levar ele a Alto Paraíso, com certeza.
Já pensou? Aí, eles vão dizer – Ah, mais um mestre. Tá cheio de mestre lá. (risos)
Aí eles vão achar uma maravilha aquilo. Tinha que levar ele lá. Lá tem um campo
de pouso na nossa área, assim. É incrível isso. Se ele for num avião pequeno
ele desce... Ele desce na... Não me deixem mentir sozinho. (risos) Tem o campo
de pouso ali do hotel que Fica do lado da nossa área. É uma pista de pouso do
hotel. Tamos avançando. (risos) Acho que eu vou pra Alto Paraíso. Tô mudando de
ideia agora. (risos) (Alguém fala algo - inaudível) É, essa é uma vantagem. É.
Brasília é interessante. Mas eu acho que aqui é o mio do Mercosul todo,
entende? (risos) (Alguém fala algo - inaudível) Você é suspeita pra dizer isso,
né? Então, o orador é do Brasil? Então eu acho, assim, maravilhoso a gente
poder construir os prédios, instalar a área, né? São um pouco apertados aqui. A
escola tá um pouco apertada, o espaço físico, assim. Mas ela tá dentro de uma
área que as crianças podem usufruir. É como se tudo fosse terreno da escola,
né? As crianças andam por tudo. Então, isso é uma boa coisa, assim. E a gente
tá nesse período ainda heroico, né? Tanto em Alto Paraíso quanto aqui,
consolidando a equipe, né? Melhorando e definindo bem o funcionamento. Então,
lá e, Alto Paraíso, aliás, a gente vai fazer a experiência esse ano de
pedagogia de projetos. E aqui nós seguimos no método que a gente já vem
andando, né? Tem uma ligação direta com o Darma. Então, a gente tá avançando.
Esses são os processos, né? Quem quiser participar de algum modo dessa ideia
aqui do lado fale com a Stela também. Se a gente tiver esses nomes firmes, é
uma coisa que pode acontecer. Também a área do Bacupari, da lagoa do Bacupari,
aqui na praia, né? Vocês falem com a Stela. A área do Jatavana lá na montanha
também. Falem com a Stela. (risos) A Stela, quando chegou aqui ela era... Tá
cada vez mais magrinha, sumindo, assim, fazer o quê? E quem quiser na área
de... Canelinha não tem mais espaço, né? Tem do lado. Deem o nome pro Rossano.
Tem uma área de 30 hectares do lado, né? (Alguém fala algo - inaudível) É. Lá é
maravilhoso. A natureza super linda lá. Mas lá não tem mais espaço né? Áreas do
lado, né? Tu conseguiste falar lá com o pessoal do hospital aqui? (Alguém fala
algo - inaudível) É. Uau, isso é bom. Porque tem uma área do lado que era de
uma pessoa de fora do país, né? E a pessoa adoeceu, aí teve uma despesa muita
alta pro hospital e perdeu a área pro hospital. Mas o hospital não tem vocação
pra se manter ali, né? Então, nós tamos na área. Talvez eles tenham interesse
de trocar conosco de algum modo, assim. (Alguém fala algo - inaudível) É, isso.
Tem a área da frente. É. É a fonte da água. Interessante.
[História da Expansão
do CEBB – a sanga e o círculo]
Vocês veem – aquilo vai andando, assim, né? Eu acho
interessante – já dá pra ver – ainda num tempo curto, né? – a sanga é - como eu
tava falando ontem – o círculo, né? O círculo não envelhece. As pessoas entram
e saem do círculo, mas o círculo mesmo ele tá existindo. Então, o CEBB ele funciona assim, né? Ele não
tem idade. Mas tudo que acontece em volta tá afetado pela impermanência, né?
Então as pessoas mudam os seus interesses, suas coisas, aí o CEBB pode sempre
se expandir assim. Naturalmente, ele é sempre um vizinho em expansão, né?
Interessante. Aí, se a área lá do Recôncavo puder expandir é uma boa coisa. (Alguém
fala algo - inaudível) Muito bom.
[História da Expansão
do CEBB – Próximos passos: retiros longos fechados]
Então, eu queria falar um pouco pra vocês também dessa nossa
experiência dos retiros longos, né? Como é que essa coisa foi avançando, né?
Então, eu acho que a gente tá chegando a uma formulação circular. Eu gosto
desse processo circular, assim, sabe? Eu vou explicar o que significa essa
formulação circular. É o fato de que a pessoa tá no retiro mas ela rotacional
um pouco de modalidade dentro do retiro. Então a experiência que a gente foi
tendo lá é que, por exemplo, a gente começou com as pessoas no retiro fechado o
mais isolado possível, né? Mas elas tão em grupo. Então, esse processo, ele
exige que tenha alguém fora poiando eles. Esse processo ele é um pouquinho
complexo, porque quem tá do lado de fora às vezes oscila, né? Então, a gente
teve uma troca das pessoas que tão do lado de fora apoiando. E então um outro
aspecto que surgiu é que - como eles tão em retiro em grupo – às vezes, eles
aspiram tar em períodos mais fechados. Também surgiu a necessidade de alguns
estudarem durante o retiro. É como se eles... De repente, surgem temas que eles
sentem que tem que aprofundar pra desobstruir o próprio andar do retiro. Então,
foi surgindo esse tipo de demanda. Então eu pensei assim – seria bom a gente
ter uma área coletiva – que eles tão no retiro fechado. Mas, seria bom ter
cabanas isoladas – que eles podem sair da área fechada e entrar numa modalidade
fechada fechada por 3 meses ou 6 meses. Uma coisa assim. 2 meses. Então, aquilo
potencializa a atividade deles. Estão super bem. Estão focados. Mas aí o fato
de que – mesmo dentro do retiro – eles se levantam em certos horários e vão pra
cozinha e um se move ou fala com o outro. Aquilo quebra um pouco. Então eles
sentem a necessidade de estarem isolados isolados. Naturalmente, o fato de que
eles voltam e se encontram nesse grupo de retiro – isso também equilibra.
Porque às vezes as pessoas podem entrar num aspecto particular, ficar presos em
alguma coisa, e sempre tem um amigo pra dar uma puxadinha, assim, né? “Você
comeu?” “Você foi no banheiro?” “Você tá bem?” E aí esse grupo ele também, ele
garante uma sanidade, assim. Melhora, né? Então isso é uma coisa boa, assim. Às
vezes a pessoa também não tá bem de saúde ou ela tem alguma coisa e o grupo
ajuda né? Então, por vezes, surgem dúvidas relacionadas ao próprio ensinamento.
Então tem um ou outro que conversa com um ou outro sobre isso. Então me pareceu
interessante esse processo, assim. A gente usar os 2 processos. A gente ter o
grupo em retiro, numa sala e ter as salas isoladas. Aí o grupo em retiro
cozinha. As salas isoladas não cozinham. Então a comida sai do grupo em retiro
e é colocada num lugar. Quem tá isolado vai até aquele lugar, num outro
momento, e pega a comida. Então, não tem contato visual, não tem contato humano
propriamente. Naturalmente, a gente pode deixar recado, mas fica um retiro
fechado fechado. Então, essa modalidade, ela é interessante. Eu pedi que no
fechado fechado as pessoas não levassem nem os textos da sadana, porque elas
tão fazendo todo dia – elas tem aquilo memorizado. Então elas vão pro retiro –
elas ficam sem nada, né? Naturalmente sem celular, sem foto, sem internet, sem
livros, sem anotações. Elas tão elas com o céu, com o ambiente, assim. Elas vão
ter que ler nas aparências das coisas. Então isso é uma boa forma de fazer
retiro por um tempo. Mas, por outro lado, como vocês tem visto, né? A gente tem
ouvido também sobre isso e também a nossa experiência. O que acontece é que, às
vezes, num retiro muito isolado, a pessoa pega um aspecto... É como se ela
entra num sonho e aquilo não se desfaz. E , às vezes, aqueles sonhos são
favoráveis e , às vezes, não são favoráveis. Então, a pessoa começa a passar
mal. Então é super importante que ela tenha a possibilidade de voltar
periodicamente ao grupo e se encontrar e aquilo vai se equilibrando de novo.
Então tem essa modalidade – o fechado em grupo e o fechado fechado, individual.
Então tô imaginando fazer isso também aqui no Jatavana, né?
[História da Expansão
do CEBB – Próximos passos: retiros semiabertos]
Aí tem o retiro semiaberto. E talvez ele seja o coração de
tudo. O coração de tudo não é propriamente o retiro fechado, mas eu acredito
que é o retiro semiaberto, sabe? No retiro semiaberto a pessoa tá em retiro.
Por exemplo, dentro da área do Jatavana – é um outro espaço físico. Ela tá em
retiro. Só que ali ela tá meditando mas ela tá estudando. E ela tá estudando,
ela tem programas de estudo com as outras pessoas que tão em retiro semiaberto.
Eles tão focados. Ele não tão tirando fotografia e botando no facebook, não tão
namorando... Aliás, namoro – proibido. Então, eles tão dentro desse formato semiaberto.
Mas semiaberto por quê? Por exemplo, dali os tutores podem fazer contato com
seus tutorados em diferentes regiões, podem fazer contatos que tenham sentido
em relação aos estudos, né? Podem manter algum nível de correspondência com o
exterior, mas no tema do que eles tão fazendo. Então, eles podem operar em rede
dentro do Brasil e fora. Mas eles... O foco 100 porcento é a atividade de
estudo e meditação.
Então, esse semiaberto, ele também tem duas modalidade, né?
Uma mais fechada e uma mais aberta. Aí tem o aberto do semiaberto. O aberto do semiaberto
é assim – é necessário alguém pra cuidar daquilo. Então, quem tá no aberto do semiaberto
estuda, medita, mantém o foco – tá em retiro - mas faz... Conserta a luz, faz a
coisa funcionar quando dá algum problema. Cuida da manutenção, do funcionamento
das coisas. O aspecto de hardware. Faz os contatos, mantém a contabilidade
operando, recebe as contribuições, sabe como fazer aquilo funcionar, assim. É
necessário ter alguém que faça isso. E essa pessoa que tá nesse nível de
retiro, mais na parte aberta desse retiro, a pessoa também pode sair pra fazer
compras. A pessoa sai e volta. Ela não sai pra ir ao cinema. Ela sai pra fazer
compras, fazer esse funcionamento.
Aí tem 4 modalidades, né? Tem o semiaberto com duas e o
fechado com duas. Aí tem uma modalidade aberta, que não é retiro. Mas ela pode
conviver, pode entra na sala do semiaberto. Mas esse aberto é assim – a pessoa
tá ali pra cuidar de tudo. Ela cuida das fronteiras, ela fala com os outros,
ela interage com o mundo externo. Em qualquer nível que precise – ela contrata
pedreiros, ela contrata manutenção, ela cuida da rede elétrica, ela tá fazendo
esse funcionamento. Tendo essa supervisão. É necessário. Então, nesse momento
lá no Jatavana nós temos uma área pro aberto. Então, nós precisamos construir
aos outras áreas – pro semiaberto e pro fechado. Então nós vamos começar com o
fechado. O semiaberto vem depois.
[História da Expansão
do CEBB – Próximos passos: retiros semiabertos – centros de formação de tutores
e facilitadores]
Mas eu considero que o semiaberto é super importante. Eu tô
pensando no semiaberto como o local onde os tutores e facilitadores vem pra
fazer formação. Porque eles encontram um grupo que tá só estudando e meditando,
estudando e meditando, estudando e meditando. E aí eles passam ali por dentro e
se beneficiam. Esses que tão no semiaberto – eu imagino que os tutores também
passam por períodos ali – eles estudam, meditam, estudam, meditam, clarificam
aspectos dos ensinamentos, depois eles passam pelos vários CEBBs e levam
aquilo, né? Assim, então a gente mantém um centro de aprofundamento. Onde a
gente faz essas visitas periódicas, né? Trabalho em rede. Nós tamos muito perto
disso. Isso, na verdade, tá pulsando espaço, né? A gente vai ver se esse fato
de que a gente tem um espaço físico pra isso potencializa de fato. Porque esse
funcionamento ele tá indo um pouco assim, mas se a gente colocar num espaço
físico, acho que vai ser uma coisa boa. A gente tá ali desse modo. Então, dali
também os tutores podem cuidar dos facilitadores, cuidar dos seus tutorados,
né? Eles podem também viajar – eles tem um funcionamento econômico – pagam as
suas contas também – que são baixíssimas, as contas, né? Porque esse
funcionamento de retiro é uma coisa de baixo impacto econômico. E aí a pessoa
acelera a sua prática, a sua realização e o contato com os outros. Dali, do semiaberto,
a pessoa também parte prum fechado, né? Periodicamente ela passa por um
fechado. Também a ideia é que a gente rotacionasse isso. A pessoa faz um pouco
de fechado, faz um pouco de fechado fechado, faz um pouco de semiaberto e
também faz um pouco de manutenção – vai pro aberto e faz compras, faz coisas.
Eu acho importante esse encontro, assim, a pessoa tá meditando, tá super
isolada e de repente ela volta, ela encontra o mundo. Ela vê como as coisas tão
desajeitadas, né? Como as pessoas precisam de ajuda. Ela percebe que ela não
tem como ajudar. Considero muito importante a gente ter a compaixão e a
compreensão de que a gente não tem como ajudar. Aí, quando a gente volta pra
estudar, aquilo tá mais claro. A motivação fica mais nítida, assim.
[História da Expansão
do CEBB – Próximos passos : retiros semiabertos – centros de documentação]
E também no semiaberto eu tô imaginando a gente fazer um
centro de documentação. Ou seja, comprar todos os textos, todos os livros que a
gente puder. E nós vamos guardando aquilo. Guardando de uma forma digna,
arrumada, direita, catalogada. Por quê? Porque os textos que hoje estão
disponíveis pode ser que amanhã não tejam. Eu já vi a dificuldade de conseguir
o Salistamba Sutra, né? Que é a Bia conseguiu, né? Mas eu entrei na amazona e
aquilo custava 900 dólares, usado. São textos que tão ficando raros, né? Então,
é natural que textos do Darma, eles sejam publicados por uma tiragem pequena.
Como o Vítor tá fazendo agora, né Vítor? (editora Lúcida Letra) Tiragens
pequenas. Por quê? Porque não são todas as pessoas da própria sanga que vão adquirir
esses livros. Depois que elas comprarem, comprou. A gente não pode imaginar que
no ano seguinte vai ter mais 500, depois mais 500, depois mais 500... Pode ser
que sim e pode ser que não. Então, isso não é um fenômeno brasileiro, isso é um
fenômeno amplo. Pra vocês terem uma ideia, esse texto que é de Trungpa
Rinpoche, que é o “Além do materialismo espiritual” é um texto que tava
esgotado há muitos anos. Eu acho que tu vai publicar, não é isso? Sim. Mas tava
esgotado há um longo tempo. Então, como é que um texto de Trungpa super lido
como o “Além do materialismo espiritual” tá esgotado? Então, vocês veem como
essas coisas elas podem ficar problemáticas. Eu acho que é super importante –
os livros são baratos. É muito fácil a gente ter um lugar consolidado,
associado a retiros, onde nós temos uma vasta biblioteca, assim, um centro de
documentação. Isso é super importante.
[História da Expansão
do CEBB – Próximos passos: estupas em CEBBs rurais]
E também eu tô aspirando que a gente consiga construir
estupas nesses vários CEBBs rurais. Construir estupas bem feitas, bem
arrumadas, com todos os processos tradicionais de como construir uma estupa,
né? Não sei qual é que vai ser a primeira mas eu visualizo aqui no Jatavana,
imediatamente. Num vale, assim. Uma estupa grande, já irradiando praquele
canyon, assim. Isso é super importante. Esses lugares eles ficam magnetizados,
né? Eles já são magnéticos. Eles ficam magnetizados pelas bênçãos da estupa. Acho
que a gente deveria ter isso. Mas nós tamos indo, né? Vai ter a estupa da
Amazônia, né? (risos) Quase isso. Aí esses lugares eles vão fluir as bênçãos,
né? Eles são como chacras. Vão fluindo as bênçãos. É super bom. Acho que nós
tamos no tempo de fazer isso, né? Acho que a gente não deveria ter feito antes.
Eu já vi também estupas serem construídas e as pessoas não conseguirem cuidar
delas. Aquilo vira um problema. Do mesmo modo salas de meditação ou templos
construídos que não tem a força da sanga. Aquilo tinha um... Uma força
financeira construiu. Aí depois tem um problema o redor. Ou seja, a gente tá
num tempo de consolidação, aí a estupa é bem-vinda. Essas coisas são bem-vindas
assim. Então, nós vamos avançando.
[História da Expansão
do CEBB – Consolidação da sanga e estudo das línguas]
E no que diz respeito à formação da sanga, né? Então, essa
consolidação também. Eu acredito que esses centros de retiro, eles vão nos
ajudar a avançar mais em consolidação. Eu tenho a aspiração que alguns avancem
também nos estudos das línguas, né? Do Tibetano e tudo. Que a gente consiga não
só ir traduzindo do Inglês, mas que a gente consiga especialmente meditar,
meditar em retiro, também, avançar nisso mais. Começar a clarificar certas
expressões, assim, a gente poder – nas traduções – acessar as línguas originais
e clarificar isso, né? Agora, bem recentemente, nós távamos olhando os 6
selos... Então, às vezes, a gente localiza isso. A própria tradução em Inglês,
ela talvez tenha uma imprecisão. Então tava olhando ali, por exemplo, a grande
bem aventurança... “Vamos selar a grande bem aventurança com a ausência de
pensamentos.” “Ausência de pensamentos” – aquilo é uma coisa limitada. Aquilo
não é ausência de pensamentos. Aí eu pensei – vamos clarificar o termo em Tibetano
pra isso. A gente precisa clarificar aquilo. Qual é o termo Tibetano – a gente
precisa do texto. O Gi conseguiu, falou com o tradutor, o tradutor mandou o
texto, né? Foi uma boa conexão pra nós. Agora a gente tem uma boa conexão com o
tradutor do Tibetano pro Inglês, né? Como – acho que é o Erick Pewan (?), né? Como
ele é um bom tradutor, né? A gente vê – tanto faz traduzir do Tibetano pro
Inglês ou traduzir do Tibetano pro Português. Porque se a gente clarifica o
sentido daquilo a gente encontra a palavra depois em Português. A questão toda
é como clarificar o significado da expressão, né? Então, ele trouxe uma
clarificação daquilo. Ele escolheu non-thought,
não-pensamento. Eu acho que não é uma boa escolha. Mas tudo bem, ele clarificou
o significado, a gente... Eu acho que era bom botar entre parênteses a
expressão em Tibetano, botar um pé de página ou comentário, né? Por favor, um
microfone aqui pra Bia.
(Bia) – Com a tradução que a gente usa em Português:
refúgio. Porque o refúgio cabe bem pro Inglês porque eles não tem uma expressão
(refuge). Mas o kab (?) é kabdro (?) em tibetano. Jo (?)é “vou para”
ou “tomo”, o que a gente pode tomar. Okiab (?) quer dizer proteção, né? Mas
protege do quê? Pro indivíduo não cair nos reinos inferiores. Então quer dizer
– ele ampara – o refúgio. Quando você se ampara no Buda, ele protege você de não
cair nos reinos inferiores. Tanto é que quando a gente toma o refúgio, se diz
que, nas vidas futuras, a pessoa que tomou refúgio não cai mais nos reinos
inferiores. Mas, assim, se cai é vapt vupt. (risos) Eu acho assim – o Português
tem essa palavra tão bonita – amparo – me amparo no Buda, me amparo na Darma,
me amparo na sanga. Eu acho que, como o Lama disse, agora, como o budismo
praticamente é novo no Brasil, então é tempo ainda de fazer essas correções,
assim, sabendo a raiz da palavra.
(Lama) – Interessante. Aí, vocês tão vendo um exemplo disso.
Super importante começar a estudar e a aprofundar os vários significados
diretamente, assim. Interessante. Eu acho que a Bia veio num bom tempo pra cá,
né? A gente não sabe bem o que vai acontecer, né? Mas a gente fica de olho na
Bia pra ver o que que a gente consegue fazer. Aí eu tô descrevendo essa coisa
do centro de estudos aqui, né? Mas eu fico pensando em ti, assim. Que periodicamente
tu possa vir nos ajudar. Então a gente tá indo. Aí tem uma praticante agora que
resolveu dar um salto, estudar isso. Vamos ver o que vai acontecer. Se vai
mesmo ou se não vai, né? Mas isso é super importante. Porque vai
potencializando essa clarificação desse significado.
Eu acho bonito, sabe? Na sanga a gente poder apoiar os
vários movimentos. As pessoas querem tar em retiro fechado fechado – tem lugar.
Quer levar as crianças pra melhorar a saúde, pra correr, pra caminhar, pra
acampar – tem lugar. Tem lugar pra escola, tem...
[História da Expansão
do CEBB – Configuração atual]
Aqui, por exemplo, isso não tava planejado, né? Foi uma
iniciativa das próprias mulheres, que vieram morar aqui, né? Mas surgiu essa
habilidade. Já nasceram cinco crianças aqui na área. Não é em hospital,
nasceram aqui dentro. Eu acho isso maravilhoso. Esse movimento, por exemplo, das
mulheres em círculo, das mulheres e das famílias se ajudando, das crianças de
um um modo e de outro, né? Super maravilhoso. Super bonito. São coisas que a
gente não pensou – agora vamos organizar isso. Não, isso surgiu, assim.
Uma das coisas que a gente pensou várias vezes e não conseguiu
é manter uma horta que pudesse atender a cozinha, né? Eu acho isso um pouco
vergonhoso, não devia tar falando, assim. Nós tamos com esse problema. Agora,
essa área aqui próxima, né? Em direção ao litoral é uma área que permite
cultivo extenso. Pra vocês terem uma ideia, por exemplo, daqui da faixa até depois
do arroio, embaixo do riacho, nós atravessamos o riacho e continua no CEBB, aí
tem mais uma faixa plana que era onde tinha área de cultivo. Originalmente,
antes da gente chegar. Aqui vai até a divisa ali à direita e até as figueiras
ali, a escola. Então, essa faixa tem 4 hectares e meio. Então é isso que nós
tamos pensando em adquirir aqui nessa região de Vacupari, né? E ali permite
cultivo.
Então, a gente tem amigos do lado que tem as máquinas e a
gente pode fazer agricultura. Uma agricultura que eventualmente possa atender
aqui. Naturalmente, a possibilidade não é suficiente, né? É necessário que
tenha pessoas que tenha essa aspiração, que tenha esse foco, que consiga fazer
isso, assim. Mas é uma possibilidade. Então, eu penso que esse tema, essa resiliência,
né? Ela passa pelo alimento. Com certeza. E pela capacidade de nós mantermos a
nossa própria saúde, então, um tipo de vida que mantenha a saúde. Isso é
crucial. Então a gente tem feito esses estudos de Pedagogia, de saúde, de
meio-ambiente, a gente tem estudado isso. E progressivamente a gente vai
conseguindo estabelecer. São as aldeias, né? Aldeias do CEBB.
[História da Expansão
do CEBB – Descentralização]
A minha ideia é que cada uma dessas aldeias, ela tenha tudo.
Mesmo esses centros de retiro e estudo, eles podem ter. A gente não precisa
fazer monopólio – fazer uma coisa numa região e em outra não. Também eu
acredito que esse processo que nós tamos usando, que é um processo
descentralizado, né? Os vários CEBBs tem denominações próprias e CGC próprio,
estatuto próprio, autonomia financeira, eu acho uma grande vantagem. Porque se
a impermanência pega um, os outros se salvam. A gente não pode ser atingido e
todos são atingidos em bloco, assim. Não, sob o ponto de vista formal nós temos
autonomia, assim. Além do mais, nós temos a capacidade de tomar decisões regionalmente.
Sem que uma região tenha que ser entendida por outra região pra então permitir
que alguma coisa aconteça. Eu acho super importante preservar essa autonomia. Isso
vai desenvolvendo uma capacidade de gestão em cada lugar. Não fica um único local
que tem capacidade de gestão e os outros ficam assim. Não. É importante
desenvolver a capacidade de gestão, responsabilidade, contato com o entorno em
cada lugar, né? Então eu acho que nós tamos indo bem. Eu fico feliz, assim. Por
enquanto a gente não encontrou nenhum obstáculo maior nessa configuração. Aí nós
tamos todos aqui conversando porque num nível sutil não tem separação. Mas no nível
grosseiro a gente mantém isso. Então, esse aspecto, por exemplo, do estudo e do
aprofundamento e das áreas de retiro qualquer área conseguindo implantar isso, ótimo.
Tá perfeito assim. O CEBB – Caminho do Meio, por ser mais antigo, tem mais
gente, tem mais capacidade de fazer isso funcionar logo, assim.
[História da Expansão
do CEBB – Facilidade dos Satélites]
Vocês observem esse processo, né? Por exemplo, quando Alto
Paraíso se instala, né? Como Curitiba também. Vai depender da instalação da comunidade
no local, como vai ser. Agora, a área como Jatavana não precisa. Por que?
Porque nós já tamos aqui. Aquilo surge como um satélite de Viamão. É Muito mais
fácil. Como Bacupari também, surge como um satélite... Nós olhamos tudo por
aqui, a gente faz isso funcionar. Não tem problema nenhum. Nas outras áreas precisa
esperar que a comunidade apareça, que aquilo se amplie. A comunidade aparece
mas eles não tem casa, não tem como se mudar... Aí precisa instalar aquilo, aí
tem que puxar a água, distribuir a água, tratar o esgoto, melhorar a escola,
melhorar as rotas, leva tempo. No plano sutil tá configurado, mas no plano
grosseiro leva tempo.
[História da Expansão
do CEBB – Gestão]
Então a gente tá avançando rápido em Alto Paraíso, já tem
várias casas construídas. Lá nós tamos usando uma modalidade que tá acelerando,
que é... Eu pedi pra um dos praticantes pra construir várias casas pequenas pra
poder alugar. Por que? Porque aí ele aluga e as pessoas já conseguem se
estabelecer na área. Aí eles começam a construir as suas próprias casas. Caso contrário,
a pessoa tá numa outra cidade. Como é que ela vai manter a sua obra
funcionando? Não pode se mudar. Então, agora ela já pode se mudar pra casas
pequenas daonde já potencializam. E ainda assim nós tamos correndo contra o
tempo. Porque a primeira que vai ficar pronta vai ser a do Fernando e da Eliane
e eles já tão lá em Alto Paraíso. Pra manter a escola. Então, eles tão numa
casa emprestada dentro da cidade pra poder... Vocês veem como é que é, né? Praquilo
poder fluir é necessário esse mecanismo todo de ajuste, assim.
E muita demanda a nível de gestão, como vocês podem imaginar,
né? Fazer as coisas encaixarem umas nas outras, assim, no espaço, no tempo e
nos recursos. Então, essas atividades de gestão, se elas forem operacionalizadas
do modo convencional, as pessoas cansam e desistem. Então é muito importante
entender as atividades de gestão como prática do Darma, como pratica de compaixão.
Se a pessoa não entender isso ela não aguenta. E é necessário que aquilo também...
A pessoa logo se defronta com o fato de que ela tem impulsos sobre o que
deveria ser feito ou sobre se as pessoas tão achando que aquilo deveria ser
assim. Super importante ter as mandalas onde a gente escuta uns aos outros. E fazendo
o melhor, assim. A gente se desapega do aspecto dos impulsos pessoais e vai
operando. Então, isso é prática espiritual direta. Aí quando nós tamos olhando gestão,
vocês não pensem que isso é diferente do processo de purificação do próprio
carma, porque não tem lugar onde o carma aflore mais facilmente que na gestão. Aflora,
fica vermelho, roxo e explode. (risos) É maravilhoso isso. Aí a pessoa quando
explode entra em retiro, meditação, vai tudo girando assim... (risos) Super
importante. Então, gestão é assim. Você acha que tá iluminado? Ótimo, então
gestão pra você. (risos) A pessoa em uma semana descobre que não tava
iluminado. Aí a pessoa tá em gestão, entra em retiro: “Bá, fácil meditar! É só
sentar. Que maravilha. Que grande compaixão do Lama que me botou em retiro. Me
livrei daquilo. Aquilo é que é prática difícil. Meditar aqui no meio das onças não
é nada.” (risos) “Não tem problema nenhum, assim. Bá. Agora, compaixão com
aquelas pessoas, aquilo é que era...” (risos) aí nosso carma aparece. Por isso
que essa rotação é super importante.
Rotação também entre os CEBBs né, pessoal? Não tá aguentando
mais o frio, vai pro calor. Não tá aguentando mais o calor, vai pro frio. Nós vamos
girando, assim. Tem umas coisas preocupantes, né? A gente vê. Aqui na escola,
as crianças começaram a falar com sotaque nordestino. (risos) Eu achei aquilo
mais ou menos, assim, porque (risos) essa rotação também tem limites, né? Aqui
é território gaúcho, né? Aí começaram a fazer festa nordestina aqui na
escola... Aquilo ficou mais ou menos, assim. Mas tudo bem né?
Mas esse aspecto grosseiro era o que eu queria falar pra vocês,
né? Vocês tem alguma pergunta?
( Parei em 01:42 )
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