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sexta-feira, 24 de junho de 2016
Realizar os ensinamentos
Estava sentindo falta de aprofundar mais, realizar os estudos no Budismo e ontem descobri este vídeo com ensinamentos do Luis Filipe que mostram uma metodologia maravilhosa, na prática, para tal. Pensar, contemplar e repousar. Ele fala também de seu exemplo em retiro, lendo três vezes o mesmo livro, depois - na quarta vez - anotando passagens que parecem importantes para depois usar a técnica de ler, contemplar por 3 minutos (buscando exemplos), depois repousar a mente por mais 3 minutos. Essa técnica permite que estudemos com uma mente mais ampla e acho que aumenta muito a chance de aprofundarmos os ensinamentos.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Sobre retiros - Dicas
Em retiros, aproveitem as práticas em grupo! Meditem sempre que possível! Façam todos os pujas! Mesmo que seja seu primeiro contato, não entendam bem ou não sintam uma grande conexão, se beneficiarão só de estar ali.
Pensando em mim mesmo nas primeiras vezes que fui, achava que não tinha muita conexão com a prática de puja então não fazia muita questão de ir, não entendia muita coisa também. A meditação em grupo eu achava mais difícil que sozinho também (pessoal falando ou passando me desconcentrava), mas já sentia algo mágico na presença do Lama. Hoje em dia - pelo estudo - eu sei que repetir mantras ou as preces das sadanas no puja em grupo potencializa as práticas, assim como meditar. E desenvolvi uma percepção maior desses benefícios: as preces, mantras e meditações com a sanga toda eu sinto muito mais poderosas. Inclusive me "abastecem" para a prática solitária por um bom tempo, tanto na qualidade quanto na disposição para fazê-las (e por mais tempo também). Essa sensação de "abastecimento energético" ouvi também de várias pessoas da sanga.
Mas é bom lembrar que se qualquer causa exterior fez você se sentir melhor no retiro, é porque você tem isso em você. Assim, é possível manter esse estado por si mesmo, ou - pelo menos - prolongá-lo o máximo possível.
Pensando em mim mesmo nas primeiras vezes que fui, achava que não tinha muita conexão com a prática de puja então não fazia muita questão de ir, não entendia muita coisa também. A meditação em grupo eu achava mais difícil que sozinho também (pessoal falando ou passando me desconcentrava), mas já sentia algo mágico na presença do Lama. Hoje em dia - pelo estudo - eu sei que repetir mantras ou as preces das sadanas no puja em grupo potencializa as práticas, assim como meditar. E desenvolvi uma percepção maior desses benefícios: as preces, mantras e meditações com a sanga toda eu sinto muito mais poderosas. Inclusive me "abastecem" para a prática solitária por um bom tempo, tanto na qualidade quanto na disposição para fazê-las (e por mais tempo também). Essa sensação de "abastecimento energético" ouvi também de várias pessoas da sanga.
Mas é bom lembrar que se qualquer causa exterior fez você se sentir melhor no retiro, é porque você tem isso em você. Assim, é possível manter esse estado por si mesmo, ou - pelo menos - prolongá-lo o máximo possível.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Dificuldades na meditação
Hoje percebi que dividir dificuldades pode estimular pessoas a seguirem na prática. Aí vão, então:
- Várias vezes você vai num retiro ou fala com alguém e surge um macete e parece que você tava meditando errado, perdendo tempo etc. (Acho que não tava, tudo é uma lenta evolução, muito lenta mesmo). Muitas vezes essas dicas que dão são apenas variações de RELAXAR MAIS, inclusive. O que parece bem óbvio racionalmente, mas há uma distância entre entender racionalmente e executar na prática. Muitas vezes as “dicas” ajudam de maneira mais misteriosa. Por exemplo, o Gustavo Gitti me disse uma vez “relaxe também a face atrás da face” e a primeira meditação que fiz depois disso foi sensacional. Quando acabou eu tava com uma sensação de não saber direito quem eu era.
- Muitas pessoas dão dicas diferentes e você fica meio perdido. (Acho que todos estão meio perdidos no ocidente.) Quando acontecer, volte pro básico, apenas sentar em silêncio e imóvel por um período determinado. Isso se você não tiver um mestre (e apenas um), que é o mais aconselhável até dominar alguma técnica, pelo que li.
- A coluna dói, os joelhos dóem. Você muda a almofada, usa duas, segue doendo. Depois de um tempo, melhora, depois volta, não há uma estabilidade nem nisso. No início, da boca meio aberta você sente uma baba lentamente escorrendo e se sente ridículo. Isso melhorou. :) Mas não tem jeito, não tem nada estável. Passei meses em que achei uma posição da almofada encostada na parede que parou de doer a coluna até em períodos mais longos, mesmo sem tanto alongamento antes (minha coluna já é meio curvada e com quase 2 hérnias). Em retiros ou fora de casa não conseguia repetir a posição, mas em casa durou uns bons meses. Mas até isso eu perdi não sei porque.
- Você casa. A esposa passa a meditar junto contigo e isso requer adaptações. Você descasa. A falta da esposa meditando junto pesa. Isso também passa.
- Você vai meditar e pensa numa estratégia nova pro joguinho idiota e competitivo do celular mas aí se percebe fora do foco da prática e tenta sorrir por ter percebido isso e volta pra foco. Depois da meditação apaga o joguinho. Aí melhora isso de pensar em estratégias. Aí você meditando lembra que deveria estar fazendo dos obstáculos parte do caminho. E aí pensa: será que não deveria é jogar e verificar o tempo todo enquanto está jogando as alterações da respiração, da tensão em cada parte do corpo e tal? Aí você pensa que talvez seja melhor não gastar esse tempo de sua vida jogando algo que só irrita os outros quando você ataca, competitivamente. Parece uma distração da prática, parece o oposto de querer desenvolver compaixão. Já apaguei e instalei Clash of Clans umas 7 vezes. :)
- Isso de parecer gastar tempo fazendo algo errado é recorrente. Aí você sente falta de alguém pra orientar em cima, pessoalmente, com mais tempo. Notar a postura quando você medita, o que tem de errado, falar sobre a vida, o que tá vendo errado ao levantar da meditação etc.
- Com o tempo você vai percebendo mais sutilezas dentro da prática: Por que esses saltos desviando o olhar do foco? Por que essa respiração rápida agora? Pra que piscar? :)
- Você levanta da meditação e vai trabalhar (pisando em ovos) numa maldita empresa padrão que só contribui pra destruir o mundo com poluição, estimular o consumismo e concentrar a renda se aproveitando de trabalhadores mal remunerados? Achar um jeito de ajudar as pessoas daí ou largue esta porcaria para viver sem medo ou esperança. :) Vivo nesse dilema, mas praticando continuamente independente disso, tentando não deixar que atrapalhe minha prática e produzindo benefícios “apesar de”.
- Você acha que melhorou e está estável e aí briga e explode com alguém querido. Tudo bem. Faz parte do caminho fazer besteira, dar um passo atrás. Siga na prática.
- Várias vezes você vai num retiro ou fala com alguém e surge um macete e parece que você tava meditando errado, perdendo tempo etc. (Acho que não tava, tudo é uma lenta evolução, muito lenta mesmo). Muitas vezes essas dicas que dão são apenas variações de RELAXAR MAIS, inclusive. O que parece bem óbvio racionalmente, mas há uma distância entre entender racionalmente e executar na prática. Muitas vezes as “dicas” ajudam de maneira mais misteriosa. Por exemplo, o Gustavo Gitti me disse uma vez “relaxe também a face atrás da face” e a primeira meditação que fiz depois disso foi sensacional. Quando acabou eu tava com uma sensação de não saber direito quem eu era.
- Muitas pessoas dão dicas diferentes e você fica meio perdido. (Acho que todos estão meio perdidos no ocidente.) Quando acontecer, volte pro básico, apenas sentar em silêncio e imóvel por um período determinado. Isso se você não tiver um mestre (e apenas um), que é o mais aconselhável até dominar alguma técnica, pelo que li.
- A coluna dói, os joelhos dóem. Você muda a almofada, usa duas, segue doendo. Depois de um tempo, melhora, depois volta, não há uma estabilidade nem nisso. No início, da boca meio aberta você sente uma baba lentamente escorrendo e se sente ridículo. Isso melhorou. :) Mas não tem jeito, não tem nada estável. Passei meses em que achei uma posição da almofada encostada na parede que parou de doer a coluna até em períodos mais longos, mesmo sem tanto alongamento antes (minha coluna já é meio curvada e com quase 2 hérnias). Em retiros ou fora de casa não conseguia repetir a posição, mas em casa durou uns bons meses. Mas até isso eu perdi não sei porque.
- Você casa. A esposa passa a meditar junto contigo e isso requer adaptações. Você descasa. A falta da esposa meditando junto pesa. Isso também passa.
- Você vai meditar e pensa numa estratégia nova pro joguinho idiota e competitivo do celular mas aí se percebe fora do foco da prática e tenta sorrir por ter percebido isso e volta pra foco. Depois da meditação apaga o joguinho. Aí melhora isso de pensar em estratégias. Aí você meditando lembra que deveria estar fazendo dos obstáculos parte do caminho. E aí pensa: será que não deveria é jogar e verificar o tempo todo enquanto está jogando as alterações da respiração, da tensão em cada parte do corpo e tal? Aí você pensa que talvez seja melhor não gastar esse tempo de sua vida jogando algo que só irrita os outros quando você ataca, competitivamente. Parece uma distração da prática, parece o oposto de querer desenvolver compaixão. Já apaguei e instalei Clash of Clans umas 7 vezes. :)
- Isso de parecer gastar tempo fazendo algo errado é recorrente. Aí você sente falta de alguém pra orientar em cima, pessoalmente, com mais tempo. Notar a postura quando você medita, o que tem de errado, falar sobre a vida, o que tá vendo errado ao levantar da meditação etc.
- Com o tempo você vai percebendo mais sutilezas dentro da prática: Por que esses saltos desviando o olhar do foco? Por que essa respiração rápida agora? Pra que piscar? :)
- Você levanta da meditação e vai trabalhar (pisando em ovos) numa maldita empresa padrão que só contribui pra destruir o mundo com poluição, estimular o consumismo e concentrar a renda se aproveitando de trabalhadores mal remunerados? Achar um jeito de ajudar as pessoas daí ou largue esta porcaria para viver sem medo ou esperança. :) Vivo nesse dilema, mas praticando continuamente independente disso, tentando não deixar que atrapalhe minha prática e produzindo benefícios “apesar de”.
- Você acha que melhorou e está estável e aí briga e explode com alguém querido. Tudo bem. Faz parte do caminho fazer besteira, dar um passo atrás. Siga na prática.
Seja perseverante em qualquer caminho que você tenha entrado e esforce-se para manifestar algumas qualidades Comprometer-se com várias práticas sem treinar nenhuma não trará êxito. Compreenda o ponto essencial de comprometer-se ou afastar-se do caminho: comprometa-se com qualquer [caminho] no qual tenha experiência e afaste-se de outras práticas! Concentre-se de todo coração até estar estabelecida nessa prática. Você não pode buscar por um caminho mais alto sem depender daquele que está abaixo. Ao treinar dessa forma, que é como plantar sementes saudáveis em solo fértil, você ganhará experiência, verá a sua essência e progredirá. Em resumo, o treinamento intensivo é a base para o surgimento de qualidades. (Guru Rinpoche, Ensinamentos do mestre que nasceu do lótus, p. 125)
domingo, 31 de agosto de 2014
Retiro Fechado de 2 Dias - Diário de Meditação
Em novembro de 2013 comecei a pratica meditação e me interessar pelo Budismo. Queria controlar melhor minhas emoções e ser uma pessoa melhor, com mais compaixão e cuidado com os outros, principalmente os mais próximos.
De textos de Osho, acabei achando o site tzal, onde o Eduardo (Padma Dorje) me orientou sobre dúvidas iniciais da prática e sobre centros budistas e lamas que recomendava... E da importância de ter um mestre pra orientar a prática. Daí vi vários no youtube mas tive uma conexão maior com o Lama Padma Samten (do CEBB).
Então, fui conhecer o CEBB-Rio num fim de semana e no outro já teria uma Palestra e Mini-Retiro com Márcia Baja, onde aprendi a importância de relaxar mais e passei a fazer savássana depois das prostrações, antes de iniciar shamata, o que melhorou muito a qualidade da meditação. Empolgado demais, quase larguei tudo pra ir para um retiro mais longo no Nordeste, mas desisti na véspera. Hoje, vejo que foi bom pois penso não estar preparado teoricamente, psicologicamente ou fisicamente para aproveitar ao máximo essa experiência. Passei a frequentar um grupo de estudos no Recreio em vez do CEBB-Rio, pela proximidade.
Depois, fui a dois retiros com o Lama, sendo um curto em Araras (Petrópolis - RJ) também e um de dez dias em Viamão (no inverno, bem frio). Recomendo. Nessa época, comecei a fazer umas meditações guiadas no trabalho, escolhi um tutor no CEBB e criei este blog sobre budismo tibetano e este outro sobre meditação shamata com foco nos 5 lungs, tentando passar os benefícios da meditação independente de religiões.
Nesse fim de semana tive a primeira experiência de retiro fechado, sozinho comigo mesmo no meu apartamento. O roteiro passado pelo tutor foi:
Bem, desde novembro de 2013, pratico basicamente todo dia, antes de ir trabalhar. Comecei com 15 minutos e fui aumentando até uma hora, mas nunca passei de uma hora. Acordar cedo pra meditar já virou hábito (atualmente é as 4:30). Então, com esse roteiro, a grande dificuldade mesmo foram essas 3 horas seguidas de prática, não o sono. Providenciei comida, desliguei PC, celular e interfone. Foi assim o retiro:
SÁBADO:
Tudo ok. No puja não acumulei o mantra 108 vezes, fiz menos. Na meditação de manhã aguentei as 3 horas, mas a coluna lombar ficou doída, mesmo com a yoga e os alongamentos de 15 em 15 minutos, e tentando colocar mais almofadas na base da coluna. Também foi difícil tanto tempo seguido meditando com o mesmo método. Outra coisa difícil é combater o ego orgulhoso pela conquista de 3 horas seguidas fazendo shamata com foco nos cinco lungs (meu máximo era uma hora antes disso). Lembrar de Jetsunma Tenzim Palmo, que passou 12 anos numa caverna em retiro fechado ajudou. :) Lembrar desse texto do Prof. Allan Wallace também. De tarde, aguentei só uma hora e meia e questionei se não seria melhor uma prática constante como eu vinha fazendo, com meditações diárias de uma hora, em vez de algo que pareça não natural, que pode acabar fazendo a mente ligar meditação a desprazer. Acho que horários rígidos e longos acabam tirando um pouco do relaxamento. Pensei em nem fazer mais nada domingo, mas acabei vendo - além do desenho Avatar, como estudo dos 5 elementos [:)] - o Lama no Youtube, o que me empolgou a seguir em retiro no dia seguinte, mesmo não fazendo tudo perfeitamente. Senti falta nesse retiro de ouvir o Lama. Nos retiros anteriores foi ao contrário, achava que tinha pouca meditação. :) Ah, não aguentei e acessei a internet de noite também... :)
DOMINGO:
De noite, tive um pesadelo com relações ainda a pacificar. No retiro de inverno, tive dois assim também. Como se o inconsciente estivesse tentando ajudar. Insistir no retiro hoje foi bom porque percebi que vai aumentando meu nível de tensão com o tempo sem contato com ninguém, o que acaba sendo contraproducente com a meditação. Retiro fechado, acho que só mesmo com mais pessoas daqui pra frente. Apesar disso, meditei normalmente de manhã, depois, no Puja, consegui entoar o mantra da Prajnaparamita 108 vezes e achei bem melhor a sensação, principalmente perto do final. Algo como esquecer-se mais de si mesmo. Aumentou minha conexão com essa prática de mantras. As meditações de 3 horas deixei em uma hora mesmo e flexibilizei os horários. Tive a ideia de fazer esse post, já que é recomendado ter um diário de meditação para acompanhar a própria evolução. A própria ideia atrapalhou um pouco a meditação. :) De tarde, tentei dormir depois do almoço no horário de descanso mas toda hora acordava assustado com algum sonho ruim. Acho que um deles foi na casa da minha família em Maria da Graça. Hoje aumentou um pouco a agonia de estar sozinho (comigo sempre bem perceptível no peito - fisicamente mesmo). Combati com shamata. Melhora instantânea. Gostei da sensação de estar enfrentando meus demônios psicológicos nesse retiro fechado. Novamente acessei a internet, acabei escrevendo bastante no blog de poesias também. Acho que ficar 2 dias sem ver ou falar com ninguém aumenta a criatividade. :) Notei também que perdi um pouco a noção do tempo: não lembrava se era sábado ou domingo hoje de tarde.
Obs.: Acabei sem fazer atividade física nenhuma além dos alongamentos e yoga durante as meditações longas, fiz apenas um Puja Prajnaparamita por dia e reduzi metabávana pra 15 minutos.
Espero que esse esforço sirva para beneficiar outros seres. Depois de um tempo percebi que piorou minha prática. :) Forcei demais. Há um ano praticando diariamente fui de 15 minutos de shamata até 1 hora. Mas depois do retiro, voltei aos 15 minutos. O próprio lama recomendou que voltasse ao início, que não pode ser um desprazer. Aproveitei a transmissão ao vivo via Google e perguntei o que fazer (está agora aqui no youtube a palestra, minha pergunta foi perto dos 43 minutos).
De textos de Osho, acabei achando o site tzal, onde o Eduardo (Padma Dorje) me orientou sobre dúvidas iniciais da prática e sobre centros budistas e lamas que recomendava... E da importância de ter um mestre pra orientar a prática. Daí vi vários no youtube mas tive uma conexão maior com o Lama Padma Samten (do CEBB).
Então, fui conhecer o CEBB-Rio num fim de semana e no outro já teria uma Palestra e Mini-Retiro com Márcia Baja, onde aprendi a importância de relaxar mais e passei a fazer savássana depois das prostrações, antes de iniciar shamata, o que melhorou muito a qualidade da meditação. Empolgado demais, quase larguei tudo pra ir para um retiro mais longo no Nordeste, mas desisti na véspera. Hoje, vejo que foi bom pois penso não estar preparado teoricamente, psicologicamente ou fisicamente para aproveitar ao máximo essa experiência. Passei a frequentar um grupo de estudos no Recreio em vez do CEBB-Rio, pela proximidade.
Depois, fui a dois retiros com o Lama, sendo um curto em Araras (Petrópolis - RJ) também e um de dez dias em Viamão (no inverno, bem frio). Recomendo. Nessa época, comecei a fazer umas meditações guiadas no trabalho, escolhi um tutor no CEBB e criei este blog sobre budismo tibetano e este outro sobre meditação shamata com foco nos 5 lungs, tentando passar os benefícios da meditação independente de religiões.
Nesse fim de semana tive a primeira experiência de retiro fechado, sozinho comigo mesmo no meu apartamento. O roteiro passado pelo tutor foi:
- 5h30 - Meditação.
- 6h - 7h - Puja Chuva de Bençãos.
- 7h - 9h - Café da manhã e descanso.
- 9h-12h - Meditação com foco nos 5 lungs.
- 12h-14h- Almoço e descanso.
- 14h-17h- Meditação com foco nos 5 lungs.
- 17h-18h- Atividade física
- 18h- 20h- Jantar e descanso.
- 20h-21h - Puja Prajnaparamita.
- 21h-21h30 - Meditação (Mettabhavana).
Bem, desde novembro de 2013, pratico basicamente todo dia, antes de ir trabalhar. Comecei com 15 minutos e fui aumentando até uma hora, mas nunca passei de uma hora. Acordar cedo pra meditar já virou hábito (atualmente é as 4:30). Então, com esse roteiro, a grande dificuldade mesmo foram essas 3 horas seguidas de prática, não o sono. Providenciei comida, desliguei PC, celular e interfone. Foi assim o retiro:
SÁBADO:
Tudo ok. No puja não acumulei o mantra 108 vezes, fiz menos. Na meditação de manhã aguentei as 3 horas, mas a coluna lombar ficou doída, mesmo com a yoga e os alongamentos de 15 em 15 minutos, e tentando colocar mais almofadas na base da coluna. Também foi difícil tanto tempo seguido meditando com o mesmo método. Outra coisa difícil é combater o ego orgulhoso pela conquista de 3 horas seguidas fazendo shamata com foco nos cinco lungs (meu máximo era uma hora antes disso). Lembrar de Jetsunma Tenzim Palmo, que passou 12 anos numa caverna em retiro fechado ajudou. :) Lembrar desse texto do Prof. Allan Wallace também. De tarde, aguentei só uma hora e meia e questionei se não seria melhor uma prática constante como eu vinha fazendo, com meditações diárias de uma hora, em vez de algo que pareça não natural, que pode acabar fazendo a mente ligar meditação a desprazer. Acho que horários rígidos e longos acabam tirando um pouco do relaxamento. Pensei em nem fazer mais nada domingo, mas acabei vendo - além do desenho Avatar, como estudo dos 5 elementos [:)] - o Lama no Youtube, o que me empolgou a seguir em retiro no dia seguinte, mesmo não fazendo tudo perfeitamente. Senti falta nesse retiro de ouvir o Lama. Nos retiros anteriores foi ao contrário, achava que tinha pouca meditação. :) Ah, não aguentei e acessei a internet de noite também... :)
DOMINGO:
De noite, tive um pesadelo com relações ainda a pacificar. No retiro de inverno, tive dois assim também. Como se o inconsciente estivesse tentando ajudar. Insistir no retiro hoje foi bom porque percebi que vai aumentando meu nível de tensão com o tempo sem contato com ninguém, o que acaba sendo contraproducente com a meditação. Retiro fechado, acho que só mesmo com mais pessoas daqui pra frente. Apesar disso, meditei normalmente de manhã, depois, no Puja, consegui entoar o mantra da Prajnaparamita 108 vezes e achei bem melhor a sensação, principalmente perto do final. Algo como esquecer-se mais de si mesmo. Aumentou minha conexão com essa prática de mantras. As meditações de 3 horas deixei em uma hora mesmo e flexibilizei os horários. Tive a ideia de fazer esse post, já que é recomendado ter um diário de meditação para acompanhar a própria evolução. A própria ideia atrapalhou um pouco a meditação. :) De tarde, tentei dormir depois do almoço no horário de descanso mas toda hora acordava assustado com algum sonho ruim. Acho que um deles foi na casa da minha família em Maria da Graça. Hoje aumentou um pouco a agonia de estar sozinho (comigo sempre bem perceptível no peito - fisicamente mesmo). Combati com shamata. Melhora instantânea. Gostei da sensação de estar enfrentando meus demônios psicológicos nesse retiro fechado. Novamente acessei a internet, acabei escrevendo bastante no blog de poesias também. Acho que ficar 2 dias sem ver ou falar com ninguém aumenta a criatividade. :) Notei também que perdi um pouco a noção do tempo: não lembrava se era sábado ou domingo hoje de tarde.
Obs.: Acabei sem fazer atividade física nenhuma além dos alongamentos e yoga durante as meditações longas, fiz apenas um Puja Prajnaparamita por dia e reduzi metabávana pra 15 minutos.
Espero que esse esforço sirva para beneficiar outros seres. Depois de um tempo percebi que piorou minha prática. :) Forcei demais. Há um ano praticando diariamente fui de 15 minutos de shamata até 1 hora. Mas depois do retiro, voltei aos 15 minutos. O próprio lama recomendou que voltasse ao início, que não pode ser um desprazer. Aproveitei a transmissão ao vivo via Google e perguntei o que fazer (está agora aqui no youtube a palestra, minha pergunta foi perto dos 43 minutos).
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Primeiras leituras sobre Budismo
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