terça-feira, 30 de dezembro de 2014

12 passos para lidarem com a raiva (resumo)

Anotações sobre a palestra 12 passos para lidarem com a raiva completa em http://www.sociedadebudistadobrasil.org/sala-de-estudos/palestras-do-dhamma-em-audio/palestras-do-bhante-buddharakkhita/ (não sei se é budismo tibetano, nesse caso, mas adorei os ensinamentos). Segue o modelo de 12 passos dos Alcoólicos Anônimos. Também serve para qualquer emoção negativa.

1 - Reconhecimento. (O mais importante. Plena atenção.) Identificar rapidamente a raiva (é como um raio) bem em seu início. Pode vir de uma sensação de desprazer, de descontentamento. O motivo não precisa ser muito sério, mas apenas estar aumentando contínua e vagarosamente a sua sensação de aversão. Vai se acumulando, sem a correta atenção, no momento presente. Só podemos lidar com a raiva ao perceber seu surgimento.

2 - Resposta. Escolha voluntariamente focar na saída. Ou seja, na raiva em si e não suas causas externas aparentes, ligadas a gostar e não gostar, apego e aversão. Lidar melhor com o não gostar e a aversão sem agir automaticamente, tendo escolhas. Responder em vez de reagir. A reação está enraizada em nossos hábitos. É quase um ato reflexo, automático, tornando-se um ciclo vicioso: raiva - reação - mais adrenalina no corpo (que alimenta a raiva). A resposta é voluntária enquanto a reação é involuntária.

3 - Investigar. Várias vezes. Contínua, a cada vez que brotar a raiva. Observar seu corpo com raiva. Aumento do calor e da respiração, maxilar travado, tensão em várias partes do corpo. Sensação de estar fora do corpo, fora de tudo, tendência a focar no objeto da raiva. Notar que a raiva é impermanente. Se você identificar impulsos de reação cega nos primeiros instantes, fica mais fácil.

4 - Deixar ir (a raiva). Sem apego a ela. Perceber sua liberdade de agir e utilizá-la. Sempre há escolhas.

5 - Substituição. Substituir a raiva pelo seu oposto, a compaixão. Compaixão por todos os seres e pelo objeto da raiva também. Respirar profundamente. Sentir novamente o corpo com atenção, aqui e agora.

6 - Reflexão. Raiva significa perigo. Perda de controle. Sentir-se mal. Lembrar das coisas péssimas no mundo que acontecem por causa da raiva.

7 - Redirecionar a mente pro corpo, pra respiração. Quando você quebra o momento de raiva, ocorre algo como um reboot no computador. Surgem opções, você pode ir fazer outra coisa, inclusive, que te deixe mais leve.

8 - Refratar. De onde vem essa raiva realmente? O que pode estar por trás disso? Medo? Desejo frustado? Colocar mais atenção nessas causas. Não ignorar isso.

9 - Resolução. Determinar que a raiva não seja nosso mestre. Usamos toda a nossa energia para nos liberarmos da raiva. Solução através da determinação.

10 - Perdão. Isso é sinal de sabedoria, pro Buda. É resgatarmos nossa força, não de fraqueza. Os fracos é que não conseguem perdoar. A raiva é sempre injustificável.

11 - Focar no objeto da raiva. Se for uma pessoa, tentar perceber a vacuidade dela. O que é a pessoa? Sua língua? Seus ombros? Seu nome? Seus pensamentos? Suas ações? Sua criação? Seus genes? Seus hábitos?

12 - Dar. Presentear a pessoa de quem se está com raiva. Flores, cartão, o que for. Se não puder ser algo material, dê um sorriso, conselhos ou qualquer forma de ajuda. Dar é uma bênção dupla, você dá e recebe de volta benefícios.

Para complementar, recomendo este vídeo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O sino

Ouço rigpa como um sino constante, que não se cala. Talvez o que Ananda não ouvia. Ouço apenas quando meu olho brilha.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Compaixão

Se todos os males,
Temores e sofrimentos no mundo
Vêm do apego a si mesmo,
Que necessidade tenho eu de tal espírito maligno tão grande?
(Shantideva)

Fernando Sabino escreve uma fórmula que devia ter seguido mais, em seu belo livro O Menino no espelho: "Pense nos outros." A compaixão é o caminho para a iluminação no budismo tibetano. Com a prática, vamos pouco a pouco percebendo quão bonito é o movimento de seu brotar. As pessoas vão chegando na sanga sempre pelo sofrimento. E vão, com o tempo, se percebendo cada vez mais no papel de receber outros e ajudá-los. Naturalmente, sem se forçar a nada, com a prática constante da meditação, vão notando um céu enorme além de suas próprias nuvens.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Vacuidade

Percebo-a quando os grandes momentos chegam. E quando passam e nem foram grande coisa. 

Percebo-a na paz das árvores ao vento. E na impressão da mente ser muito maior que os pensamentos.

Percebo-a fora e dentro, quando me sinto personagem de uma história que repito pra mim mesmo.

Continua tudo igual depois daquela festa, daquele beijo, daquela conquista... A vida segue como um pêndulo entre o desejo e o tédio, segundo Schopenhauer. O eu que deseja focado em si mesmo logo se entedia. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Dificuldades na meditação

Hoje percebi que dividir dificuldades pode estimular pessoas a seguirem na prática. Aí vão, então:

- Várias vezes você vai num retiro ou fala com alguém e surge um macete e parece que você tava meditando errado, perdendo tempo etc. (Acho que não tava, tudo é uma lenta evolução, muito lenta mesmo). Muitas vezes essas dicas que dão são apenas variações de RELAXAR MAIS, inclusive. O que parece bem óbvio racionalmente, mas há uma distância entre entender racionalmente e executar na prática. Muitas vezes as “dicas” ajudam de maneira mais misteriosa. Por exemplo, o Gustavo Gitti me disse uma vez “relaxe também a face atrás da face” e a primeira meditação que fiz depois disso foi sensacional. Quando acabou eu tava com uma sensação de não saber direito quem eu era.

- Muitas pessoas dão dicas diferentes e você fica meio perdido. (Acho que todos estão meio perdidos no ocidente.) Quando acontecer, volte pro básico, apenas sentar em silêncio e imóvel por um período determinado. Isso se você não tiver um mestre (e apenas um), que é o mais aconselhável até dominar alguma técnica, pelo que li.

- A coluna dói, os joelhos dóem. Você muda a almofada, usa duas, segue doendo. Depois de um tempo, melhora, depois volta, não há uma estabilidade nem nisso. No início, da boca meio aberta você sente uma baba lentamente escorrendo e se sente ridículo. Isso melhorou. :) Mas não tem jeito, não tem nada estável. Passei meses em que achei uma posição da almofada encostada na parede que parou de doer a coluna até em períodos mais longos, mesmo sem tanto alongamento antes (minha coluna já é meio curvada e com quase 2 hérnias). Em retiros ou fora de casa não conseguia repetir a posição, mas em casa durou uns bons meses. Mas até isso eu perdi não sei porque.

- Você casa. A esposa passa a meditar junto contigo e isso requer adaptações. Você descasa. A falta da esposa meditando junto pesa. Isso também passa.

- Você vai meditar e pensa numa estratégia nova pro joguinho idiota e competitivo do celular mas aí se percebe fora do foco da prática e tenta sorrir por ter percebido isso e volta pra foco. Depois da meditação apaga o joguinho. Aí melhora isso de pensar em estratégias. Aí você meditando lembra que deveria estar fazendo dos obstáculos parte do caminho. E aí pensa: será que não deveria é jogar e verificar o tempo todo enquanto está jogando as alterações da respiração, da tensão em cada parte do corpo e tal? Aí você pensa que talvez seja melhor não gastar esse tempo de sua vida jogando algo que só irrita os outros quando você ataca, competitivamente. Parece uma distração da prática, parece o oposto de querer desenvolver compaixão. Já apaguei e instalei Clash of Clans umas 7 vezes. :)

- Isso de parecer gastar tempo fazendo algo errado é recorrente. Aí você sente falta de alguém pra orientar em cima, pessoalmente, com mais tempo. Notar a postura quando você medita, o que tem de errado, falar sobre a vida, o que tá vendo errado ao levantar da meditação etc.

- Com o tempo você vai percebendo mais sutilezas dentro da prática: Por que esses saltos desviando o olhar do foco? Por que essa respiração rápida agora? Pra que piscar? :)

- Você levanta da meditação e vai trabalhar (pisando em ovos) numa maldita empresa padrão que só contribui pra destruir o mundo com poluição, estimular o consumismo e concentrar a renda se aproveitando de trabalhadores mal remunerados? Achar um jeito de ajudar as pessoas daí ou largue esta porcaria para viver sem medo ou esperança. :) Vivo nesse dilema, mas praticando continuamente independente disso, tentando não deixar que atrapalhe minha prática e produzindo benefícios “apesar de”.

- Você acha que melhorou e está estável e aí briga e explode com alguém querido. Tudo bem. Faz parte do caminho fazer besteira, dar um passo atrás. Siga na prática.

Seja perseverante em qualquer caminho que você tenha entrado e esforce-se para manifestar algumas qualidades Comprometer-se com várias práticas sem treinar nenhuma não trará êxito. Compreenda o ponto essencial de comprometer-se ou afastar-se do caminho: comprometa-se com qualquer [caminho] no qual tenha experiência e afaste-se de outras práticas! Concentre-se de todo coração até estar estabelecida nessa prática. Você não pode buscar por um caminho mais alto sem depender daquele que está abaixo. Ao treinar dessa forma, que é como plantar sementes saudáveis em solo fértil, você ganhará experiência, verá a sua essência e progredirá. Em resumo, o treinamento intensivo é a base para o surgimento de qualidades. (Guru Rinpoche, Ensinamentos do mestre que nasceu do lótus, p. 125)

domingo, 31 de agosto de 2014

Retiro Fechado de 2 Dias - Diário de Meditação

Em novembro de 2013 comecei a pratica meditação e me interessar pelo Budismo. Queria controlar melhor minhas emoções e ser uma pessoa melhor, com mais compaixão e cuidado com os outros, principalmente os mais próximos.

De textos de Osho, acabei achando o site tzal, onde o Eduardo (Padma Dorje) me orientou sobre dúvidas iniciais da prática e sobre centros budistas e lamas que recomendava... E da importância de ter um mestre pra orientar a prática. Daí vi vários no youtube mas tive uma conexão maior com o Lama Padma Samten (do CEBB).

Então, fui conhecer o CEBB-Rio num fim de semana e no outro já teria uma Palestra e Mini-Retiro com Márcia Baja, onde aprendi a importância de relaxar mais e passei a fazer savássana depois das prostrações, antes de iniciar shamata, o que melhorou muito a qualidade da meditação. Empolgado demais, quase larguei tudo pra ir para um retiro mais longo no Nordeste, mas desisti na véspera. Hoje, vejo que foi bom pois penso não estar preparado teoricamente, psicologicamente ou fisicamente para aproveitar ao máximo essa experiência. Passei a frequentar um grupo de estudos no Recreio em vez do CEBB-Rio, pela proximidade.

Depois, fui a dois retiros com o Lama, sendo um curto em Araras (Petrópolis - RJ) também e um de dez dias em Viamão (no inverno, bem frio). Recomendo. Nessa época, comecei a fazer umas meditações guiadas no trabalho, escolhi um tutor no CEBB e criei este blog sobre budismo tibetano e este outro sobre meditação shamata com foco nos 5 lungs, tentando passar os benefícios da meditação independente de religiões.

Nesse fim de semana tive a primeira experiência de retiro fechado, sozinho comigo mesmo no meu apartamento. O roteiro passado pelo tutor foi:

  • 5h30 - Meditação.
  • 6h - 7h - Puja Prajnaparamita.
  • 7h - 9h - Café da manhã e descanso.
  • 9h-12h - Meditação com foco nos 5 lungs.
  • 12h-14h- Almoço e descanso.
  • 14h-17h- Meditação com foco nos 5 lungs.
  • 17h-18h- Atividade física 
  • 18h- 20h- Jantar e descanso.
  • 20h-21h - Puja Prajnaparamita.
  • 21h-21h30 - Meditação (Mettabhavana).

Bem, desde novembro de 2013, pratico basicamente todo dia, antes de ir trabalhar. Comecei com 15 minutos e fui aumentando até uma hora, mas nunca passei de uma hora. Acordar cedo pra meditar já virou hábito (atualmente é as 4:30). Então, com esse roteiro, a grande dificuldade mesmo foram essas 3 horas seguidas de prática, não o sono. Providenciei comida, desliguei PC, celular e interfone. Foi assim o retiro:


SÁBADO:

Tudo ok. No puja não acumulei o mantra 108 vezes, fiz menos. Na meditação de manhã aguentei as 3 horas, mas a coluna lombar ficou doída, mesmo com a yoga e os alongamentos de 15 em 15 minutos, e tentando colocar mais almofadas na base da coluna. Também foi difícil tanto tempo seguido meditando com o mesmo método. Outra coisa difícil é combater o ego orgulhoso pela conquista de 3 horas seguidas fazendo shamata com foco nos cinco lungs (meu máximo era uma hora antes disso). Lembrar de Jetsunma Tenzim Palmo, que passou 12 anos numa caverna em retiro fechado ajudou. :) Lembrar desse texto do Prof. Allan Wallace também. De tarde, aguentei só uma hora e meia e questionei se não seria melhor uma prática constante como eu vinha fazendo, com meditações diárias de uma hora, em vez de algo que pareça não natural, que pode acabar fazendo a mente ligar meditação a desprazer. Acho que horários rígidos e longos acabam tirando um pouco do relaxamento. Pensei em nem fazer mais nada domingo, mas acabei vendo - além do desenho Avatar, como estudo dos 5 elementos [:)]  - o Lama no Youtube, o que me empolgou a seguir em retiro no dia seguinte, mesmo não fazendo tudo perfeitamente. Senti falta nesse retiro de ouvir o Lama. Nos retiros anteriores foi ao contrário, achava que tinha pouca meditação. :) Ah, não aguentei e acessei a internet de noite também... :)


DOMINGO:

De noite, tive um pesadelo com relações ainda a pacificar. No retiro de inverno, tive dois assim também. Como se o inconsciente estivesse tentando ajudar. Insistir no retiro hoje foi bom porque percebi que vai aumentando meu nível de tensão com o tempo sem contato com ninguém, o que acaba sendo contraproducente com a meditação. Retiro fechado, acho que só mesmo com mais pessoas daqui pra frente. Apesar disso, meditei normalmente de manhã, depois, no Puja, consegui entoar o mantra da Prajnaparamita 108 vezes e achei bem melhor a sensação, principalmente perto do final. Algo como esquecer-se mais de si mesmo. Aumentou minha conexão com essa prática de mantras. As meditações de 3 horas deixei em uma hora mesmo e flexibilizei os horários. Tive a ideia de fazer esse post, já que é recomendado ter um diário de meditação para acompanhar a própria evolução. A própria ideia atrapalhou um pouco a meditação. :) De tarde, tentei dormir depois do almoço no horário de descanso mas toda hora acordava assustado com algum sonho ruim. Acho que um deles foi na casa da minha família em Maria da Graça. Hoje aumentou um pouco a agonia de estar sozinho (comigo sempre bem perceptível no peito - fisicamente mesmo). Combati com shamata. Melhora instantânea. Gostei da sensação de estar enfrentando meus demônios psicológicos nesse retiro fechado. Novamente acessei a internet, acabei escrevendo bastante no blog de poesias também. Acho que ficar 2 dias sem ver ou falar com ninguém aumenta a criatividade. :) Notei também que perdi um pouco a noção do tempo: não lembrava se era sábado ou domingo hoje de tarde.

Obs.: Acabei sem fazer atividade física nenhuma além dos alongamentos e yoga durante as meditações longas, fiz apenas um Puja Prajnaparamita por dia e reduzi metabávana pra 15 minutos.

Espero que esse esforço sirva para beneficiar outros seres. Depois de um tempo percebi que piorou minha prática. :) Forcei demais. Há um ano praticando diariamente fui de 15 minutos de shamata até 1 hora. Mas depois do retiro, voltei aos 15 minutos. O próprio lama recomendou que voltasse ao início, que não pode ser um desprazer. Aproveitei a transmissão ao vivo via Google e perguntei o que fazer (está agora aqui no youtube a palestra, minha pergunta foi perto dos 43 minutos).

sábado, 30 de agosto de 2014

As seis perfeições (ou 6 Paramitas)

As 6 paramitas (na ordem correta - cada uma depende da anterior) são:
  1. generosidade, 
  2. ética (ou moralidade) - não prejudicar os outros,
  3. paciência (ou paz) - não se abalar, 
  4. energia (ou esforço) constante - independente de fatores externos, 
  5. concentração (ou meditação), 
  6. sabedoria.

domingo, 3 de agosto de 2014

Trikaya - os três kayas

Kaya - significa corpo (ou manifestação)

Trikaya:
  • Dharmakaya - mente do buda (aspecto secreto) - natureza eterna, absoluta, vazia e incondicionada - luminosidade base - estado primordial de Rigpa
  • Sambhogakaya - fala do buda (aspecto sutil) - campo da total plenitude, claridade, radiância da vacuidade - Exemplo: 5 Diani Budas. Autorradiância de Dharmakaya, que serve como potencial e combustível das manifestações de Nirmanakaya
  • Nirmanakaya - corpo do buda (aspecto grosseiro) - cristalização na forma da manifestação incessante não obstruída (a maioria de nós só percebe este tipo de manifestação - ignorância*)

*Pesquisa complementar em O livro tibetano do viver e do morrer. Sogyal Rinpoche - 1a. edição - São Paulo: Palas Athena, 2013. ps. 446-457. 10/12/2014.

*Paralelo com o cristianismo: Deus (Pai) / Espírito Santo / Jesus (Filho)

*Paralelo com a arte: Inspiração / Tradução / Obra de arte

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Cinco Diani Budas - Lama Padma Samten (5 sabedorias)

Seguem minhas anotações do que Lama Padma Samten ensinou durante o retiro de inverno 2014, no CEBB Viamão, RS

Há um caminho espiritual direto que nem necessita de meditação com as cinco inteligências ou sabedorias:

  1. Sabedoria do espelho - Acolher como for (o outro dentro dos referenciais dele, dentro do mundo dele - ele olha o mundo e vê apenas a mente dele, igual a olhar no espelho). Coemergência do mundo externo e interno: nos ensina a ser verdadeiramente útil no mundo do outro, nos referenciais dele, com compaixão e amor, não nas nossas ideias, teorias e referenciais. Exemplo: ensinar crianças a meditar como forma de brincadeira. Onisciência. Azul da água, que se adapta ao que for. Cor azul, que corresponde ao Buda Akshobia. Lung: água. Leste. VAJRA
  2. Sabedoria da igualdade - O outro como igual a nós. Sua alegria é nossa. Ao olhar os outros seres, nossa mente se engaja para ajudar. Ao ajudar, ajudamos a nós mesmos, nossa energia vem disso. Foco nos pontos positivos dos outros (riquezas, ouro, daí o amarelo) e ajudá-los a se desenvolver naturalmente. Exemplos que ocorrem naturalmente: Se engajar com filmes ou se alegrar com a alegria dos outros. Mente não fixada. Buda Ratnasambhava, cor amarela. Lung: terra. Sul. GURU
  3. Sabedoria discriminativa - Fazer os seres entenderem a vida a partir das 4 nobres verdades e do nobre caminho de 8 passos. Entender as coisas racionalmente no Darma. Aprofundamento. Ajudar a dar sentido às vidas das pessoas. Se afastar do engano. Silenciar e meditar. Gera a motivação correta. A roda da vida. Essência do ensinamento budista. Buda Amitaba, cor vermelha. Lung: fogo. Oeste. PADMA
  4. Sabedoria da causalidade - Destruir ações negativas que restaram. Impedir que as pessoas criem complicações (carma) pra elas mesmas. Aspecto causal que cria as aparências são relativos (poder de transmutar a aparência dos fenômenos, a causalidade em uma visão correta). Ações positivas não precisam de grandes explicações, ao contrário das negativas. Não construir referenciais sutis negativos, mas positivos. Não se abalar com negatividades: 4 ações de Guru Rinpoche. Transforma ação perturbadora em lucidez ("Tira leite de pedra"). Buda Verde, Amogasidi. Lung: ar. Norte. SIDI
  5. Sabedoria de darmata - Tecido da realidade é vacuidade (corresponde à visão iluminada). Compreensão do espaço básico, além de todas as transitoriedades, além de nascer e morrer. "Todos os jeitos particulares de nos manifestarmos são construções". Ver o que realmente somos. A natureza de Buda é a natureza livre e todos os seres a possuem, além de qualquer construção. Cor branca. Buda Vairochana. Lung: éter. Centro (todas as outras brotam dela). HUNG
Imagem: CEBB
OBS.: Essas cores são representadas nas bandeirinhas da vitória, um dos símbolos mais reconhecidos do Budismo.

OBS.2: Ao recitar o mantra de Guru Rinpoche estamos falando também dessas cinco famílias búdicas, que não se separam do próprio Padmasambava.

OBS. 3: Trata-se de algo tão essencial no budismo tibetano que o Vajra (ou Dorje em Tibetano) tem 5 hastes em cada extremidade, representando as 5 sabedorias e os 5 lungs em equilíbrio. O Vajra também pode ser visto como sendo a mente na parte central e numa extremidade ficar o samsara e na outra o nirvana (simbolizando que a mente é que cria tanto samsara quanto nirvana). Guru Rinpoche costuma ser representado segurando o Vajra em sua mão direita:

Prajnaparamita - Técnica dos 8 elementos - CEBB - Lama Padma Samten

Link para o próprio Lama explicando no retiro de inverno 2017

Seguem minhas anotações do que Lama Padma Samten ensinou durante o retiro de inverno 2014, no CEBB Viamão, RS

Mantra: Lama Padma Samten recitando no Youtube


Texto: madjantavibanta de Maytrea

Técnica prática ao contemplar qualquer coisa: "isso é" (iludido) / "não é" (liberado) / "e é" (conscientização de um sonho. Do lado de fora do sonho mas consciente de que, dentro do sonho,  é. )

Aprofundamento:

- Meditação:
Eleger formas de qualquer tempo.  Grosseiras ou sutis.
Reconhecer sua coemergência com um estado mental interno que lhe dá sentido.
Perceber o movimento de energia (formas atraentes, repulsivas ou neutras). Cada forma está associada a uma bolha de realidade.
Existência e vacuidade não competem. Tratam das mesmas coisas. Basta olhar a coemergência. Processo vazio e luminoso: sem rigidez. Logo, a liberação é possível. Compreensão da mandala vajra.
Na visão budista, o mundo é como um espelho que reflete o conteúdo da mente.
A transição não diz respeito aos objetos mas ao lugar, o ponto de onde se pode olhar. Estabilizando isso,  aparece a mandala vajra.

- Descrição item a item (roteiro):
0. Estamos no tempo perfeito pra meditar.  Lugar perfeito. Todas as condições perfeitas.
1. Puxamos a forma com um item prático a nossa frente. Depois outros skandas.
2. Contemplamos a coemergência
  • 2a. Entre mente e forma (grosseiro)
  • 2b. Entre mente, forma. energia, paisagem, identidade:  a bolha (sutil) o aspecto secreto é o lugar de onde se olha (de fora da bolha)
3. Forma é vazia (grosseiros não contém o sutil) - vacuidade (repousar um tempo ao perceber)
4. Aspecto luminoso coemergente (ex. Cubo desenhado - sutil coemerge com grosseiro, sem contradição)
5. Aspecto grosseiro vazio. Aspecto sutil luminoso. Vacuidade e luminosidade ao mesmo tempo. 
6. Cinco lungs. Aspecto grosseiro estimula o aspecto sutil que brota. E a energia se movimenta com o aspecto sutil (aparência do aspecto grosseiro). Notar como a nossa energia muda ao perceber vacuidade e luminosidade.
7. Contemplar a magia disso. Como brota a causalidade da luminosidade,
8. Compreendida a natureza vajra, sorrimos (oferecemos a lucidez de perceber vacuidade e luminosidade das aparências a Samantabadra). O samsara aparece como uma realidade artificial e fugaz, menor, muito menor que a mente do Buda (daí o sorriso). Tipo: "rá, percebi!" :)

Vídeo também:

Obs.: Etapa seguinte: repousar na presença. Sabedoria primordial.
Sem nem sabedoria discriminativa. Não precisa nem da estabilidade.  Sempre presente. Por isso os treinos em estados mais perturbados também. Não precisa ser Shamata. As formas não tiram a visão do espaço primordial e a luminosidade que dá origem e mantém as aparências vajra. Mantém-se dentro dessa manifestação livre. Dentro da mandala nem é preciso mais foco. Pode-se estar desatento.
Mandala primordial como refúgio sem esforço.
Ler texto do pico do junipero - mahamudra em 4 itens (apenas quando estiver na mandala primordial).
Depois: meditação nos 5 bardos. Como não se atrapalhar em cada um deles
Depois: contemplação das identidades e dissolução da sensação delas e de existir. Pela clareza de como isso surge. Liberamos a energia. O problema não é operar com uma identidade mas avidya. (Final do bloco 2)


P.S.: O Roberto, do GEBB-Recreio, com base no vídeo do Marcelo Nicolodi acima, fez um outro resumo de apenas 8 pontos, que pode facilitar o entendimento. Compartilho com a autorização dele:

"A análise do prajnaparamita é equivalente a vipassana (investigação da realidade como ela é).
Resumo super-simplificado dos 8 passos:
1) observação das formas - 5 skandas.
2) observar a coemergência.
3) ver a vacuidade.
4) ver a luminosidade.
5) observar simultaneamente a vacuidade e a luminosidade.
6) observar as energias (5 lungs).
7) ver o conjunto da realidade sob os parâmetros da vacuidade e da luminosidade (a magia da vida).
8) equanimidade (não ser arrastado mais pelas paisagens)" - sorriso

OBS.: Melhor evitar qualquer coisa que gere sofrimento. Ainda mais se desenvolvermos nossa prática e pudermos ver como as ações pequenas podem causar um sofrimento enorme, justamente pela vacuidade de tudo  aceitar qualquer luminosidade. Em nós mesmos pelo carma ou diretamente na outra pessoa. Exemplo: você trai e a pessoa e ela se mata por causa disso... Imagine o carma negativo gerado para ambos! A visão de Prajna aumenta nossa responsabilidade ética e não o contrário ("Vale tudo, se é tudo vazio").



olhamos as coisas e não as vemos. olhamos as coisas e não nos vemos. sem esta separação entre sujeito e objeto nem há linguagem. sem o silêncio primordial, surgem conceitos duais...

olhamos a parede e não vemos o tijolo que a constitui. parece óbvio: parede. parece sólido. é automático. olhamos o tijolo e não vemos o barro de que é feito... assim vai até o infinito.

uma carroça é suas rodas? é suas tábuas? se tirarmos uma roda, continua carroça? qual o limite do que podemos tirar para continuar carroça? e o raciocínio oposto: se juntarmos rodas e tábuas, quando começa a ser carroça? a carroça está no nosso olhar e não percebemos.

linhas traçadas num papel em duas dimensões formam em nós a experiência de um cubo em três dimensões. e nem assim notamos que participamos do que vemos, surgimos junto, criamos junto.

por isso, se estamos num avião caindo sentimos medo. não vemos que não há nem o avião sólido, nem o eu sólido.

fora desta separação, fora do sonho, sem cessar, sem nascer nem morrer, a felicidade verdadeira, incondicionada. silenciosa de conceitos, se reconhecendo lentamente a si mesma em pequenos insights no meio destas letras.
 

(Fabio Rocha - baseado em vários ensinamentos budistas, do Lama Padma Samten e dos tutores do CEBB)

Prajnaparamita - Análise do texto - Lama Padma Samten


Muito tempo perdido em transmigração (mudando as condições externas, nada adianta):
- sentido grosseiro: de corpo em corpo
- sentido sutil: de bolha em bolha
(Só é possível ver se não estivermos totalmente dentro das bolhas.)

Na grande perfeição tudo parece perfeito. Desse ponto não se consegue nem criticar as pessoas nas bolhas. 

Inconcebível e inexprimível lucidez (rigpa). Mente de Amitaba. Mãe de todos os Budas dos três tempos. Capaz de ver os processos artificiais onde estivemos presos. Não nascida porque está sempre lá. Como o céu: com espaço para acolher tudo. Experienciada pela cognição cognitiva prístina (sem condicionamento)...

A chave para perceber a vacuidade é a coemergência. Como perceber um sonho. Como um pintor e sua tela: as imagens não estão na tinta. Como perceber a mente dando formas às nuvens.

Ótimo para lembrar quando se está sofrendo.  É vazio qualquer sofrimento olhado assim. Remove sua solidez ao permitir o olhar fora de sua bolha.

termos:
darmas = atores no samsara
derradeiro nirvana = liberação completa do samsara
mantra = resumo de toda a prajnaparamita. A prática é manter a visão disso tudo ao recitá-lo. Com essa visão,  o que vemos é a mandala de prajnaparamita ou mandala vajra (trocando os referenciais internos, as coisas mudam)

Outros vídeos ótimos sobre prajnaparamita:
OBS.: Melhor evitar qualquer coisa que gere sofrimento. Ainda mais se desenvolvermos nossa prática e pudermos ver como as ações pequenas podem causar um sofrimento enorme, justamente pela vacuidade de tudo  aceitar qualquer luminosidade. Em nós mesmos pelo carma ou diretamente na outra pessoa. Exemplo: você trai e a pessoa e ela se mata por causa disso... Imagine o carma negativo gerado para ambos! A visão de Prajna aumenta nossa responsabilidade ética e não o contrário ("Vale tudo, se é tudo vazio").


“Não importa qual a perturbação que a pessoa esteja manifestando, a origem dessa perturbação está numa bolha — e dentro da bolha está na fixação dela às aparências e às respostas automatizadas. É isso. É só isso que acontece. Sempre tem o momento que o sonho se desfaz. Aí nós estamos livres. Quando estamos livres descobrimos que sempre estivemos livres, que o sonho sempre esteve a um triz de se desfazer. Aquilo nunca teve consistência.”

—Lama Padma Samten

Curso de Altar Budista - CEBB

Seguem minhas anotações do que a Alessandra Destro (Ale) ensinou durante o retiro de inverno 2014, no CEBB Viamão, RS. Veja aqui o vídeo dela. Em 2015, complementei com informações de Marcelo Nicolodi no curso para facilitadores do CEBB-Rio em junho. Em 2016, saiu esse texto completíssimo do Padma Dorje sobre altar. Em 2017 achei este vídeo também.


Nesta prática é muito importante este equilíbrio, entre não cair na displicência do tanto faz, e não se apegar demais às regras para não gerar mais rigidez. O ponto chave é a motivação e a atitude durante a prática e a relação que desenvolvemos com os símbolos do Darma. - Marcelo Nicolodi


Benefícios

Se você tem conexão com altares budistas, essa prática faz conectar aspectos internos e sutis com algo físico (aspecto grosseiro). A paisagem da mente ao montar ou limpar o altar aproxima do Darma e acalma. Sintoniza a mente. 


Melhor local da casa


Onde se realiza as práticas.  Se for no quarto de dormir, melhor para o lado da cabeça do que dos pés (que tem ligação com lodo e sujeira.) 


Melhor horário para a prática constante em casa


Qualquer um. :) Mas às 5:30 da manhã abrem-se portais sutis, é um horário especial.


Como montar


Abaixo seguem muitos detalhes para montar um altar ideal, mas se você tiver só uma foto ou uma estátua de Buda, já serve, o que importa mais é seu sentimento e sua energia com o que for possível de fazer como altar.

Altura ideal do altar: acima dos olhos ao sentar. A altura mínima deve ser acima da linha da cintura de um homem de pé, idealmente. 

Representar corpo, fala e mente do buda: imagem ou estátua do buda (CORPO), texto do Buda (de preferência mais alto que o altar - FALA), estupa (no formato do coque na cabeça do buda - representa os cinco lungs equilibrados na mente do buda - MENTE)

Colocar imagens que conheçamos, que nos façam bem ao olhar. No centro, Buda Sakyamuni (foto ou estátua), o que caracteriza um altar Mahayana. Na direita são os mestres vivos e pacíficos e na esquerda os já falecidos e irados. (Mas este é um ponto não muito definido. Em alguns lugares se diz até que não deveríamos colocar imagens de mestres vivos no altar, apenas os mortos. Outros dizem que são os mortos à direita, outros dizem que é à esquerda... Ou seja, não parece haver um consenso.)

Colocar o dorje (representa meios hábeis) e o sino (representa vacuidade), símbolos tradicionais do budismo tibetano.

Pode-se colocar Kata - que é um pano branco ou colorido com desenhos que simbolizam as oito etapas da iluminação do Buda. Se oferece ao lama e ele devolve abençoado. É um símbolo de respeito. Pode se colocar sobre as imagens do altar. Pode-se acrescentar um mala também. E também flores e plantas.

Oferendas ficam mais abaixo (para se oferecer para todos os seres ao montar o altar, numa prática de generosidade). Devem ser feitas sempre lembrando que na natureza última, não são necessárias. Podem ser tigelas para preencher com água (recomendado - o som relaxa, tem a qualidade de nos acordar também e é associada a conforto - útero - , flexibilidade e purificação), arroz ou cevada. É preciso deixar o espaço de um grão de arroz entre as tigelinhas e sempre que estiverem vazias, mantê-las viradas para baixo. Sempre que desvirar, já preencher com água. Não é auspicioso deixar vazia virada pra cima. Deixar o espaço de um grão de arroz entre as tigelas. Primeiro colocar só um pouco de água na da esquerda e ir passando da esquerda pra direita. Depois, preencher meia ou um terço da tigela ou deixar o espaço de um grão de arroz entre a água e a borda, pensando em cada uma das instruções abaixo.  Ir pensando que está também limpando o orgulho com a água em benefício de todos os seres. Podem ser sete ou oito tigelas (iguais) simbolizando (preencher da esquerda para a direita, atento e alegre - é uma prática das 6 perfeições, ou seja, para ser feita com paciência, precisão e e energia constante):

1a- Água para beber. Lembrar da sensação boa de matar a sede. Purificar o orgulho (ofuscar o brilho da tigela). Pensar "Que todos os seres, sem exceção, possam se beneficiar, possam ter água para beber." Preencher no formato de um grão de arroz (iniciar e finalizar com menos água)

2a- Água para lavar. Lembrar da sensação de refrescância e bem-estar de um bom banho. Lembrar da sensação boa de entrar numa cachoeira ou piscina ou banheira. Pensar "Que todos os seres, sem exceção, possam ter água para banhar seus corpos." Preencher no formato de um grão de arroz (iniciar e finalizar com menos água)

3a- Beleza. (podem ser também flores - mesmo as de plástico - presas em arroz na tigela em vez de a preencher com água). Pensar "Que todos os seres, sem exceção, possam manifestar sua beleza sublime, tenham acesso a sua beleza interior e possam expandi-la." Preencher no formato de um grão de arroz (iniciar e finalizar com menos água)

4a- Incenso. (pode ser também 4 ou 6 incensos presos em arroz na tigela - mas esses não se acende, e sim o da incenseira, que deve ficar no chão abaixo do altar) Representa ambientes do Darma para praticar. Pensar "Que todos os seres, sem exceção, possam ter ambientes para praticar o Darma." Preencher no formato de um grão de arroz (iniciar e finalizar com menos água). E se acende o incenso e coloca-se na incenseira abaixo do altar para queimar deitado (pode ser ao final de tudo também, que se acende o incenso, como preferir).

5a- Luz (e se acende a vela.) Lembrar da luz da lua e das estrelas, das luzes de Natal. Lembrar de lucidez (dissipar a escuridão). Pode ser uma tigela com água ou uma vela, que pode ficar acesa constantemente desde que protegida. Pensar "Que todos os seres, sem exceção, tenham acesso à luminosidade de sua mente, tenham lucidez." Preencher no formato de um grão de arroz (iniciar e finalizar com menos água) Ao apagar, não soprar, mas apagar com dedos molhados em outra tigela.

6a- Perfume (e pingar perfume ou óleo essencial no altar, ou preencher com arroz e perfume em vez de água). Para deixar o altar mais atraente. Pensar "Que todos os seres, sem exceção, tenham acesso aos perfumes que mais gostam."Preencher no formato de um grão de arroz (iniciar e finalizar com menos água)

7a- Comida. Pensar "Que todos os seres, sem exceção, possam ter acesso às comidas que eles mais gostam." Preencher no formato de um grão de arroz (iniciar e finalizar com menos água)

8a- Som (pode ser também uma concha - som do Darma). Pensar "Que todos os seres, sem exceção, possam ouvir os sons do Darma." Preencher no formato de um grão de arroz (iniciar e finalizar com menos água).


OBS.: Podem ser velas nas cores das cinco sabedorias também, em vez de apenas uma.


Ao terminar de montar o altar, colocar o dedo anelar na tigela de perfume e falar OM AH HUNG. Acender incenso no incensário, que deve ficar abaixo do altar. (Pode-se também girar o incenso aceso entoando o mantra de Guru Rinpoche). Fazer prostrações e começar a prática.

Ao final da prática, retirar água das tigelas da direita pra esquerda pensando "que todos os seres, sem exceção, se livrem do apego ao..." e o elemento de cada tigela. E se enxuga as tigelinhas uma a uma, preferencialmente.

Ao jogar fora a água melhor não ser no banheiro. As cinzas do incensário devem ser guardadas e não jogadas fora.

Manter o altar sempre limpo e atraente para a prática.

Seguem fotos da evolução do altar aqui em casa, graças a Ale. :)





Etiqueta budista

- Nos pujas, o mala deve ser percorrido até a bolinha maior, que representa o corpo do buda, e voltar. Representação de não passar por cima dos ensinamentos do Buda.

- Preces, textos e livros do Darma são considerados sagrados. Devem ser guardados na prateleira mais alta. Não devem nunca ficar no chão ou sob objetos.

- No Tsug: recebe-se cinco sabores num pratinho. Para reconhecimento de todos os sabores como um só. Prática tântrica. Come-se qualquer um com a mesma atitude. De preferência, inteiros e com energia constante.

Os 4 pensamentos que transformam a mente (ou que redirecionam a mente para o Darma)

Seguem minhas anotações do que Lama Padma Samten ensinou durante o retiro de inverno 2014, no CEBB Viamão, RS

1- Vida humana preciosa. Temos méritos só pelo Darma (ensinamentos budistas) nos tocar. Nascimento humano nessas condições e com essas capacidades é algo bem raro. Temos o potencial para a iluminação. 

2- Impermanência. Todas as vantagens (ou desvantagens) no samsara não são permanentes. A morte apaga tudo. Depois de um tempo, ninguém nem lembra mais de nossa existência no samsara.

3 - Carma. Lei de causa e efeito. Colhemos o que plantamos.

4 - Sofrimento.  Decorrente do carma que plantamos nessa ou em outras vidas. Imprevisibilidade total de tudo no samsara. 

Esse pensamento causa o reforço da motivação em praticar. No CEBB, também temos a Homenagem ao Lama, que seria uma homenagem a todos os mestres que há quase 2500 anos fizeram com que o Darma chegasse até nós e o Refúgio nas 3 Joias (Buda - estado iluminado, Darma - ensinamentos e Sanga - praticantes).


3 joias



RESUMO DO LIVRO PORTÕES DA PRÁTICA BUDISTA (Chagdud Tulku Rinpoche)



introdução


- 4 pensamentos como suporte, alicerce, base - sem eles - tudo na prática é inútil e rui. ex: 15 anos praticando e com o mesmo apego, desejo, ignorância, raiva e agressividade de antes na prática, no dia-a-dia é falta de contemplar e realizar os 4P.

- precisa de um esforço para mudar - e não dar desculpas / dores / doenças para não praticar (falta da realização dos 4P) - não é falha dos ensinamentos budistas!

- vida humana preciosa e impermanência - não perder tempo -> praticar o contentamento

- contemplar o carma -> tira o apego da felicidade condicionada convencional (roda da vida girando sempre)

- 4Ps não  são ensinamentos inferiores, são o início, a base


o lama


- ajudar na intenção altruísta de sair do sonho da vida pra ajudar outros a saírem

- recordamos as qualidades do lama e rogamos que, pela força de suas bênçãos, os obstáculos de nossa prática se dissipem

nascimento humano precioso

- imensa e rara oportunidade de sair do sofrimento, tempo limitado

- só temos por acumularmos muito mérito no passado

- enorme liberdade para praticarmos


impermanência

- apegos e planos inúteis

- o q restará em cem anos?

- ninguém nunca escapou de doença, velhice e morte

- prática forte pra não perder tempo


carma

- mérito (carma positivo) exaurível (ex: dar comida a alguém com fome) e inexaurível (ajudar a todos os seres a se iluminarem)

- parar de plantar sofrimento em vez de reclamar da colheita

- evitar desvirtude, 10 ações não virtuosas

- purificar carma - om mani pedme hung - motivação/intenção mais correta: livrar todos os seres do samsara


sofrimento

- 3 tipos: 
. 1 . da mudança (impermanência) 
. 2 . que se sobrepões ao sofrimento (sofrimento mesmo - ex: dor de dente, depois algo pior)
. 3. que tudo permeia (dualidade)

- samsara como pântano pútrido. saída: renúncia. sair dos 3 venenos (3 animais no centro da roda da vida - ignorância, apego e raiva)

- ajudar outros tira o foco do nosso próprio sofrimento

A Roda da Vida - Lama Padma Samten

A Roda da Vidaroda-da-vida-templo-cebb-viamao
A roda da vida numa das paredes do templo do CEBB em Viamão (foto minha - meio fora de foco - rs - clique pra ampliar)

Seguem minhas anotações do que Lama Padma Samten ensinou durante o retiro de inverno 2014, no CEBB Viamão, RS


Do centro da imagem para fora:



3 animais: (mais detalhes abaixo)

  • Javali - ignorância - que gera:
  • Galo - desejo/apego - que gera (quando ameaçado):
  • Cobra - raiva

6 reinos:

- Reino dos Deuses - Ideal do samsara. Viver como reis e imperadores. Tudo de bom (topo na imagem). Para o budismo, aqui ficam Brahma, Vishnu e Shiva (deuses que, respectivamente, mantém e dissolvem ilusões do samsara) e o jardim do éden cristão. Emoção principal: orgulho.

- Reino dos Semideuses - Invejam os Deuses. Disputa. Tentam sempre alcançar o que os Deuses possuem. No mundo, tecnologia, ciência etc. Perseverar dentro do samsara.  Olho do bom senso e da causalidade aprendido no mundo.

- Reino dos Infernos - Muitas variações de raiva, dor e tortura (abaixo na imagem).

- Reino dos Seres Famintos - Carência. Aspirações impossíveis de realizar. No nosso mundo (samsara), crescente limitação de recursos.  Em expansão, com os problemas ecológicos.

- Reino dos Animais - O reino animal. Preguiça. Impossibilidade de sair de avidya. No nosso mundo, em diminuição, com os problemas ecológicos.

- Reino Humano - O mais favorável porque nele há os ensinamentos e a chance de iluminação. É muito pequeno. "Somos cegos porque vemos." (Buda) Notar a raridade de um Buda surgir aqui. E de o Darma nos tocar. Buda Sakyamuni é o quarto buda histórico. O próximo é Maytrea. Reino caracterizado pelo planejamento por etapas  para obter resultados, mas limitado pela impermanência, falta de controle e sofrimento. Falta de sentido.


12 elos (compreensão importante para Prajna):

Se você já está mais avançado nos estudos, veja nesse post o resumo que fiz de todos os
doze elos da originação dependente


Imagens fora da roda: Simbolizam a perda de tempo de pessoas no samsara que não aproveitam a vida humana preciosa para praticar (jogando videogame ou dançando).

P.S.: Palestra maravilhosa da Jeanne Pilli sobre A Roda da Vida no CEBB Fortaleza, em 08/10/2015.




Contemplando o desenho do centro da roda da vida de Tiffani Gyatso



Este desenho de Tiffany Gyatso do centro da roda da vida no templo do CEBB em Viamão foi fotografado e usado como capa do livro "A roda da vida como caminho para a lucidez", do Lama Padma Samten. 

Classicamente, o javali (ou porco) simboliza a ignorância, visão de vida baixa, curta e autocentrada. A partir de seu rabo surge o galo (desejo e apego), simbolizando nosso esforço cotidiano de manter o que desejamos e nos afastar do que não desejamos (por isso, o galo, que é um animal que está sempre ciscando, buscando algo, em movimento movido pelo desejo). O Lama Padma Samten fala que o galo tem tudo a ver com a figura do equilibrista de pratos que somos, tentando manter girando sem cair o prato do emprego, o prato do relacionamento, o prato da família, etc. A partir do rabo do galo surge a cobra (raiva), que brota quando algo atrapalha nossos desejos, nossas fixações, nossos apegos. Quando algum prato cai e quebra. E a partir daí, o ciclo eterno se reinicia, gerando um novo javali (o Lama brinca que seria um javali 2.0) que agora vai tentar evitar a quebra de outros pratos. A simbologia do animal comendo o próprio rabo lembra a imagem grega do Oroboros, representando algo eterno.

Na representação dos três animais, podemos notar com um olhar mais apurado algumas criações notáveis da artista, como o galo com penas de pavão em seu rabo, como que simbolizando um orgulho nosso pelos pratos conquistados. O Buda (presente em todas as partes da roda da vida) está acima desse ciclo, fora dessa confusão tão nossa, com o rosto plácido, uma luz na mão esquerda (talvez representando lucidez) e a mão direita apontando a flor de lótus que nasceu onde ele pisou (no nascimento do Buda Sakyamuni, Sidarta Gautama, diz-se que onde ele pisava nasciam flores de lótus). 

A saída, então, do ciclo, seria a flor de lótus, que o Buda aponta, o que me lembrou o mantra da compaixão, "do lodo nasce o lótus" (OM MANI PADME HUM). Ou seja, por mais que aparentemos estar preso nesse ciclo, por mais que estejamos atolados no lodo, Buda nos aponta a saída em Bodicita, na compaixão, na ampliação da visão autocentrada e dual do javali em qualquer uma de suas versões.

Blocos e Faixas - Lama Padma Samten

Blocos de treinamento e faixas de operação (modos de operar)

Seguem minhas anotações do que Lama Padma Samten ensinou durante o retiro de inverno 2014, no CEBB Viamão, RS

Esta parte dos blocos e faixas achei muito bom para mensurar a evolução na prática.


Blocos


- Bloco -1 - Pessoas fazendo mal a outros para obter algo. Potencial cortado.

- Bloco 0 - Pessoas com comportamento padrão no mundo atual. Egoísmo. "Normose" (normalidade como doença). Não percebem o samsara. Bom ensinamento para esta fase: roda da vida. Shamata e metabavana, se possível.

- Bloco 1 - Pessoas começando a perceber a falta de sentido do samsara. Podem operar no mundo com alguma liberdade em relação a avydia certas vezes. Ainda reclamam das outras pessoas. Início do questionamento sobre a "normalidade padrão" (falta de sentido). Início do estudo budista. Termina quando a pessoa entende cada ponto de sua vida a partir do Darma. Entende que o sofrimento (dukkha) pode cessar. Ensinamentos: Doze elos. Nobre caminho de oito passos. Shamata e metabavana, se possível.

- Bloco 2 - Bloco longo. Começa com o voto de refúgio (nas três jóias) e surge Bodichita, de fato, como energia autônoma e estável para ajudar os seres (pode ser treinada com shamata). Pessoas com decisão de focar na prática. Prática não focada na identidade. Motivação. Shamata, metabavana e prajnaparamita. Ver a morte como fim de todo esforço samsárico inútil. Praticante empolgado. Sensação de que deveria ouvir menos e praticar mais. Necessário humildade e paciência. Treinamento (faixa 2). Acha incrível ainda se incomodar com as outras pessoas ou qualquer outra coisa do samsara. Sensação de que já tentou de tudo fora do Darma, sem sucesso. Aqui, falar de moralidade faz sentido (não nos blocos anteriores). A consciência que permite meditar (que é o que interessa na meditação, e não os objetos percebidos durante a prática) se desloca progressivamente do samsara  até a lucidez primordial (reconhecendo bolhas e depois vacuidade e luminosidade). É quando se completa o bloco dois. Clareza sobre as oito consciências. Olhar lúdico sobre o mundo. Estabilidade interna independente das coisas. Aproximação do aspecto secreto, silencioso que se mantém nas transmigrações. Reconhecimento da presença incessante, natureza livre (não é uma pessoa - mas permite o surgimento das identidades), fora de todas as bolhas de realidade. Alegria. Liberdade. Sem responsividade. A partir daí, metabavana sincera com equanimidade é possível (olhar de um lugar mais amplo do que nossas bolhas usuais). Compaixão (Chenrezig) e lucidez (Manjursi) andam juntos. Aspiração positiva pelo outro: Bodichita. (Sempre que aparece essa alegria interna, vem junto a aspiração de ajudar os outros). Capacidade de perceber a vacuidade internamente e extremamente (coemergência).Prajnaparamita (faixa 3).

- Bloco 3 - Maturidade a partir da condição livre. Praticantes com capacidade de compaixão. Manifestação de meios hábeis. Olham pros outros não como recursos. Sem o olhar instrumental do samsara. Estabilizando a lucidez.

- Bloco 4 - Bodisatva. Levantar e ir pra lugares "difíceis" ajudar. Está andando no mundo apenas para trazer benefícios aos seres.


Faixas

- Faixa 1 - Impulso. Igual animais. Treinamento adequado no budismo: faça isso / não faça aquilo. (Repetições para condicionamento positivo.)

- Faixa 2 - Capacidade de planejamento. Causalidade. Metas. No budismo: método racional de treinamento progressivo. Desenvolvimento de aptidões.

- Faixa 3 - Coemergência. Saber internamente. Início do exame e análise do mundo interno. Saber que a ação no mundo depende disso. Início da percepção sutil de coemergência. Abertura de visão. Mais constância na energia. No budismo: práticas específicas de coemergência. Lucidez e energia independente do exterior. Shamata e Vipassana.

- Faixa 4 - Mística. Fé. Conexão pelo coração. No budismo: poder todo está nos mestres. Se o Darma milagrosamente nos chegou, resta-nos a fé.

Imagem do CEBB - Lama Padma Samten em Viamão
Imagem do CEBB - Lama Padma Samten em Viamão